Se tem uma coisa que eu não suporto quando leio creiticas, resenhas sobre filmes é o aviso: se você tem estômago fraco, não assista este filme.
Mas Nanjing: Luz na Escuridão, o indicado da China ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026 é um filme para quem tem estômago forte.
O filme conta a história de uma das maiores atrocidades da humanidade, o Massacre de Nanquim, hoje chamado de Massacre de Nanjing, a cidade chinesa ocupada pelo exeercito japonês na Guerra sino-nipônica em 1937, logo após o exército japonês ocupar Xangai.
Nanjing (ocidentalizado como Nanquim) era a capital da República da China e o Japão sabia que vencendo lá, venceria a Guerra.
Só que eles não seo invadiram Nanjing, eles cometeram um dos mais sangrentos genocídios da história onde mataram, estupraram, decapitaram, esquartejaram, afogaram homens, mulherress, crianças e recém nascidos tudo sem pudor e sem moral.
Eu conhecia pouco sobre essa histeoria, bem superficialmente, pelo que vi neste filme, e aqui a gente pode perceber que os métodos genocidas são sempre os mesmo. Para você terem uma ideia da barbárie, a pessoa que criou a “zona de segurança” para civis em Nanjing foi um alemão nazista.
Nanjing: Luz na Escuridão conta essa história a partir de um carteiro chinês bem jovem que ao tentar fugir da invasão japonesa, é capturada com material fotográfico e se faz passar por dono de uma loja de revelação de filmes quando percebe que o oficial japonês bem cruel, claro, é também o fotógrafo que registra com sua câmera todo tipo de atrocidade cometida pelo exeercito invasor.
Todo. Tipo.
Ao levar o oficial japonês até a “sua loja”, ele precisa provar que é mesmo quem diz ser e em 24 horas precisa entregar os rolos de filme revelados e ampliados para o oficial.
Em dezembro de 1937, A Ching, o carteiro agora fotógrafo, descobre que a família dona da loja de revelação de filmes, está escondida no porão da casa e a história se torna uma mistura de Cyrano de Bergerac com Anne Frank numa história que remete a Lista de Schindler, onde A Ching é o melhor pupilo que o antigo fotógrafo poderia ter, já que sua perfeição no trabalho deixa o oficial fotógrafo japonês muito satisfeito.
Mas e a consciência dos chineses que agora podem ser considerados traidores ao trabalharem, mesmo que forçados, para seus algozes?
Ao mesmo tempo que entregam as fotos reveladas para os japoneses eles guardam cópias como provas das atrocidades que estão accontecendo e que com certeza o mundo, ou mesmo a China, não faz ideia.
O diretor Shen Ao faz questão de mostrar em seu filme os horrores da guerra, da falta de humanidade, da canalhice do ser humano quando possuidor de “pequenos poderes”, aqui nem tão pequenos assim.
A escuridão do título Nanjing: Luz na Escuridão nos é mostrada por todas as mais de 2 horas (que passam sem que percebemos), onde a violência é constante sob todas as formas, física, moral, psicológica.
E quando Shen Ao foca em uma delas, o filme se transforma e passa de um drama de guerra para horror explícito, em cenas que ficarão na lembrança de quem as vê e na lembrança da histeoria do cinema deste século.
Rios de sangue, cheiro fétido de cadáveres amontoados pelas ruas cobertas de sangue, mulheres violentadas que prefeririam morrer a terem que viver como prostitutas para soldados japoneses cheios de pústulas apodrecidas pelo corpo, crianças que assistem atrocidades que nem adultos deveriam ver, bebês que sofrem horrores por chorarem e homens, todos os homens, que são mortos por serem homens e possíveis soldados, sem pudor, sem distinção nenhuma, tudo nivelado por baixo a partir de ordens do Império japonês que diziam: acabem com tudo, não deixem rastros.
E o acabar com tudo incluía queimar a cidade, destruir a história, apagar da face da Terra o que para os japoneses não merecia ter existido, neste caso, tudo e todos de Nanjing.
Ao mesmo tempo que o diretor Shen Ao nos entrega esta visão do inferno na Terra, da pior barbárie possíve, com toda a coragem e o respaldo que a História com H maiúsculo lhe dá, Nanjing: Luz na Escuridão tambeem é um hino de amor a seu povo, àquela história que deve ser contada como aconteceu, já que ao que parece até hoje uma parte siginificativa de japoneses negacionistas duvidam dessa versão, dizendo que a ocupação matou no máximo 10 mil pessoas, o que é um horror por si só, mas os números oficiais chineses elevam essa expectativa a perto de 200 mil pessoas mortas só em Nanjing e algo maior que 350 mil entre Nanjing e Xangai.
Nanjing: Luz na Escuridão é de doer o coração, o estômago e os dentes, em uma tensão primeiramente criada dentro da loja de revelação de fotos onde a família está escondida, o carteiro vai se virando como pode e como é bem ensinado, tanto que, quando as cópias das fotos das atrocidades que eles esconderam foram entregues a autoridades não japonesas, o mundo viu, julgou e condenou (quase) todo mundo que se gabava de suas conquistas, principalmente os oficiais de grandes patentes japoneses. Ou pelo menos aqueles que não cometeram harakiri “em nome da honra”.
Nanjing: Luz na Escuridão é um filme forte, poderoso, muito bem realizado e que vai aumentado sua importância à medida que é visto. É daqueles filmes sobre histórias que a gente um dia pensou “como ninguém viu isso à época e deixou acontecer”, mas hoje a gente sabe que a realidade não é bem assim.
Tomara que mais este filme nos sirva de lição.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “316/2025 NANJING: LUZ NA ESCURIDÃO”