325/2025 A ÚNICA SAÍDA

Poucas coisas me dão mais prazer neste blog do que escrever #alertafilmão para filmes novos de diretores que eu amo, como é o caso deste A Única Saída, petardo novo do meu coreano preferido, o “oldboy” Park Chan‑wook, que inclusive é o filme que seu país mandou para concorrer a uma vaga ao Oscar 2026.

O filme é baseado em um livro que já foi adaptado ao cinema em 2005 por Costa Gavras em um filme bem mediano, melhor de ideia do que de realização, até porque só me lembro de 3 ou 4 cenas meio “exageradas” do filme que se repetem neste mais como homenagem até.

A Única Saída é sobre Man-soo, um homem feliz que vive com a esposa, 1 filho adolescente e 1 filha menor geniazinha que toca violoncelo ocomo ninguém e mais 2 cachorros em sua casa de infância reformada, dando para sua família a melhor vida possível e com o mote “tenho tudo o que preciso na vida”.

Até que ele é demitido da fábrica que produz papel onde trabalhou por 25 anos.

De cara ele não se conforma, chora, se descabela, implora pelo emprego mas logo se conforma e diz que em 3 meses vai arrumar novo emprego e manter o nível de vida que sua amada família tem.

Mas nos dias de hoje (como décadas atrás quando o livro e o primeiro filme foram lançados) as coisas não são tão fáceis e depois de muitos e muitos meses sem conseguir nada e ser mais uma vez humilhado, Man-soo toma uma decisão drástica.

Radical.

Ele resolve acabar com a concorrência.

E por concorrência entenda que são outros 4 candidatos desempregados que em princípio são mais qualificados que ele.

O que se tornou um thriller muito dramática nas mãos “pesadas” de Costa Gavras, na batuta também “pesada” (só que oriental) de Park Chan‑wook, No Other Choice se torna um thriller ironicamente cínico, quase uma comédia, quase um filme de sessão da tarde, mas genial o suficiente para dar vida a uma história que lida com o desprezo pela moral de uma forma engraçada que te faz rir de nervoso.

Man-soo é o anti herói que o cinema precisava neste 2025. É o homem que se despe de pudores e de moral para conseguir seu objetivo que sempre foi ter de volta tudo o que ele precisa, já que ele não suporta ver a mulher trabalhando como assistente de um dentista bonitão, ou não ter dinheiro para pagar o professor de música mais caro para a filha ou descobrir que o filho adolescente rouba celulares da loja do pai do amigo.

Como um assassino trapalhão, Man-soo sai sem experiência, sem plano, com a cara e a coragem para matar um por um dos candidatos que estariam à sua frente na lista de possíveis contratados da nova empresa.

O mais interessante deste filme não é ver os planos atrapalhados do nosso anti herói se realizarem mesmo que por acaso. É sim acompanhar sua vida e a de sua família no novo modus operandi desta nova ordem que veio claro, de cima pra baixo, onde ele só teve que aceitar, mesmo estrebuchando.

A Única Saída é menos sobre “o que fazer daqui pra frente” e mais e sutilmente sobre “o que fizeram comigo e olha onde eu vim parar”.

A destruição da ideia de família e de felicidade é destroçada pelo capitalismo frio e calculista, pelas máquinas tomando conta, pelo achatamento humano, pelo falta de sensibilidade.

Aqui Park Chan‑wook nos entrega de bandeja as novas possibilidades de violência que ainda que sejam novidade, dialogam descaradamente com seus filmes anteriores, quando os meses que viram anos do homem desempregado que cai em desespero e vira um “matador” nos lembra do Oldboy que fica preso por anos e anos achando que aquela prisão seria seu pior pesadelo.

O Cinema com “C” maiúsculo de Park Chan‑wook é a prova viva de que enquanto houver roteiro e decupagem haverão Filmes com “F” maiúsculo.

E melhor ainda, enquanto houverem Diretores com “D” maiúsculo como o coreano Park Chan‑wook, ainda haverão filmes dignos de 🎬🎬🎬🎬🎬 e #alertafilmão.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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