331/2025 SISU – A ESTRADA DA VINGANÇA

Eu tenho vontade de esfregar na cara de uns assessores de imprensa gringos quando eu recebo cópias de filmes para assistir e resenhar diretamente dos distribuidores, quando tais assessores não quiseram me mandar semanas antes por motivos de “você mora no Brasil, não posso te mandar o filme ainda”.

Sisu – A Estrada da Vingança estreou no Fantastic Fest e eu levei um não grande da fofa da assessora que vai ler isso aqui porque obviamente eu mando as resenhas pros gringos sempre (beijo no coração).

Eu venho de uma pegada de assistir tanto filme meia boca, e o pior, filmes que vinham sendo incensados nos EUA com promessas de “melhor atuação do ano pro Ethan Hawke“, “melhor atuação do ano pra Rose Byrne” ou pior ainda, melhor filme de Cannes 2025 pro Jafar Panahi.

Não.

Troco qualquer filme desses por uma reprise do primeiro Sisu e agora, pela continuação tão boa quanto, obrigado diretor e roteirista finlandês Jalmari Helander.

O primeiro filme contava a história do silencioso, forte e violentamente inteligente finlandês que acaba com uma tropa nazista das melhores formas possíveis no final da Segunda Guerra Mundial, quando os alemães estão fugindo da Finlândia e destruindo tudo pelo caminho.

O finlandês ex-militar acha uma quantidade absurda de ouro e precisa atravessar algumas cidades para chegar ao banco e depositar a fortuna. Só que nesse caminho estão os nazis fiadaputa. Mas ele não está nem aí e por causa de um roteiro incrivelmente inteligente e esperto, acaba com as vidinhas insignificantes do pelotão alemão, uma por uma.

Eu imaginava que não teria uma sequência razoável para tal obra prima mas eu subestimei o gênio criativo Helander.

A Estrada da Vingança é a estrada de volta para a União Soviética que o finlandês imortal faz para vingar a morte de sua mulher e filhos pelas mãos de um militar desgraçado.

O primeiro toque ótimo do roteiro é que o militar soviético é avisado que o finlandês está de votlat e provavelmente atrás de vingança. Desgraçado que é, o cara vai atrás do finlandês armado até os dentes, com um pequeno exército que para nossa felicidade, está prestes a ser dizimado pelo nosso anti herói preferido.

O mais incrível do roteiro, e o que me deixa feliz ao assistir esse tipo de filme é a quantidade de mortes que assistimos e melhor ainda, a “qualidade” das mortes, uma mais inteligente e inédita e incrível que a outra. Digo até que melhores que as do primeiro filme.

Eu disse lá em 2023 que Sisu era mais violento e inteligente que John Wick, por exemplo, o filme mais violento de Hollywood na época e as pessoas duvidaram muito de mim, porque também assisti o filme antes dele estrear e a curioisidade superou as expectativas.

Sisu – A Estrada da Vingança é mais punk, mais violento, muito mais sangrento e mais pretensioso (no melhor sentido) que o primeiro filme.

E a cereja do bolo, que me fez quase gritar em vários momentos do filme, é que Jalmari Helander faz várias lindas e muito incríveis homenagens a outros filmes.

A primeira imperdível é uma “recriação” de uma cena engraçadíssima de Top Secret, só que aqui não é nada engraçada, ou acaba sendo quando vemos nosso anti herói finlandês malucão andando e se arrastando sobre cacos de vidros em silêncio. Muito bom.

Mas a cena mais linda do filme é uma homenagem a Alien, quando o monstro se aproxima pela primeira vez do rosto da Sigourney Weaver/Ripley, em uma das imagens mais clássicas e inesquecíveis do cinema, só que aqui não tem monstro, só tem o desespero numa cena inesquecível., como já é este filme.

Agora só aguardo o terceiro filme do Sisu já que neste vemos que ideias boas não faltam ao meu ídolo finlandês Jalmari Helander e claro, não podia deixar de dizer que o outro ídolo finlandês é Jorma Tommila, o fiinlandês malucão violentão, com sangue nos olhos (literalmente) que para nossa sorte, continua sem dar um pio neste novo filme.

(Tá, ele grita, mas spoiler alert, ele continua sem falar nada e tem até piada no final sobre isso)

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

3 pensamentos sobre “331/2025 SISU – A ESTRADA DA VINGANÇA

  1. Eu cai na sua conversa e fui assistir ao primeiro filme. PQP. O filme em questão falha já em sua primeira cena de ação. O protagonista, armado apenas com uma bateia — aparentemente de alumínio — consegue se defender de rajadas de fuzil. Mesmo que fosse de aço, a cena não se sustentaria. A suspensão da descrença, essencial para qualquer narrativa de ação, é aqui substituída por um convite ao riso involuntário.
    A sequência seguinte não melhora: o mesmo personagem sobrevive a um enforcamento prolongado, que se estende por minutos intermináveis. A cena, em vez de transmitir tensão ou dramaticidade, transforma-se em caricatura. O espectador não é levado a se preocupar com o destino do herói, mas sim a questionar a lógica interna do roteiro.
    O maior problema, portanto, não está apenas na execução técnica, mas na falta de respeito à inteligência do público. A ação exagerada poderia funcionar se houvesse algum elemento estilizado ou irônico, mas o filme insiste em se levar a sério. O resultado é um espetáculo de incoerências que mina qualquer possibilidade de envolvimento emocional.
    Curiosamente, ao contrário de outras produções indicadas, este título não se apoia em subtemas sociais ou identitários que poderiam enriquecer a narrativa. É puro escapismo malconduzido, sem camadas adicionais que justifiquem a experiência.
    Um filme que falha em sua própria proposta, incapaz de equilibrar fantasia e verossimilhança. A cada cena, o espectador é lembrado de que está diante de uma obra que confunde exagero com entretenimento.

    Definitivamente, nunca mais assisto uma indicação sua.

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