Com o taiwanês A Garota Canhota, Sean Baker (de Projeto Flórida e Anora) lança seu Masterclass “Faça um filme do Sean Baker em seu país e na sua língua e seja indicado ao Oscar”.
A Garota Canhota é um filme bonitinho que Taiwan sim mandou para concorrer a uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026. O que não vai rolar. Porque este draminha é mais um filme do Sean Baker (tem até menininha fofinha, espertinha e independente) do que qualquer outra coisa.
Desculpa aí diretor Shih-Ching Tsou.
Mas ter o Sean Baker como co-roteirista, produtor e editor do filme não nega minha afirmação.
Em Taiwan, ou pelo menos na família da fofa I-Jing, ser canhota não é bacana. É como ter a mão do diabo. Tanto que seus avós fazem de tudo pra que ela escreva e desenha e faça tudo com a mão direita.
Mas esse é o menor dos problemas da garota. Sua mãe e sua irmã mais velha voltaram a morar na cidade grande, em um apartamento minúsculo, e precisam começar as vidas do zero, a mãe vendendo comida em uma feira noturna de cacarecos e a irmã mais velho sendo garçonete em um outro boteco minúsculo onde ela além de trabalhar é meio namoradinha do dono jovem divorciado.
E a canhotinha circula nesse universo de escola, casa dos avós, sua casa, restaurante da mãe onde ela ajuda de vez em quando e sendo fofa com todo mundo.
E quanto mais ela percebe que a mãe precisa de dinheiro, mais ela vai tendo ideias doidas como por exemplo se livrar da mãe esquerda ou usaá-la para coisas que a direita não faria, já que a mão é do diabo e não dela.
O problema deste filme pra mim é que ele faz parte do universo “Bakeriano” demais, onde a gente até imagina coisas que provavelmente vão acontecer, mesmo com o roteiro nos surpreendendo o tempo inteiro.
E a mão boa do diretor de A Garota Canhota (ops) faz o filme sair de uma obviedade “clássica” por onde ele poderia existir. Claro que com a ajuda do americano, já que esse pé no “moderninho de leve” narrativo ee a marca registrada do cara que levou alguns prêmios importantíssimos como Cannes e o Oscar com Anora, um filme pequeno sem concessões mas que no caso do cinema de Sean Baker, não é nada muito ousado ou punk, é sempre um cinema que pega assuntos mais polêmicos e os transforma em filmes bem palatáveis.
Muito do que acontece neste A Garota Canhota, histórias de uma família bem polêmica (não são todas?) com a garota canhota sendo o mascotinho.
Se a história fosse contada sob a ótica da garotinha teríamos possivelmente uma obra prima nas mãos.
Faltou tato (ops).
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

