351/2025 CADET

Olha como são as coisas.

Yerkinbek Ptyraliyev é o diretor de fotografia deste horror cazaque, Cadet, o filme escolhido pelo Cazaquistão para tentar uma vaga no Oscar 2026 de Filme Internacional.

Yerkinbek Ptyraliyev é o diretor de fotografia de um dos meus filmes cazaques preferidos da vida, o maravilhoso Lobo da Estepe do meu querido Adilkhan Yerzhanov e também do Gato Amarelo, de 2020.

Só que Yerkinbek Ptyraliyev além de ser membro da equipe que escolheu o filme, é o único cazaque membro da Academia de Filmes americana e vota nos Oscars. Só que esses membros não podem participar da escolha dos filmes em seus países, o que eliminou Cadet da competição.

Isso tudo, só pra terminar, foi descoberto porque os próprios membros da academia cazaque denunciaram o truque todo. Ao que parece o povo não gosta deste filme e queria outro, mas não consegui descobrir qual.

De qualquer maneira Cadet é um belo horror.

Poderia ser mais enxuto, é um pouco longo e um pouco enrolado demais, falta ritmo de horror, o diretor Adilkhan Yerzhanov quis criar muito clima e se perdeu.

O cadete do título é Serik, filho adolescente de Alina, a nova professora de história de uma prestigiosa academia militar. O moleque é bem “independente” eu diria, tem cabelo comprido, é meio goticozinho e logo é alvo de bullying dos outros alunos da academia, sofrendo bem apanhando, sendo xingado, até que a mãe vê marcas no corpo do filho, já que teria apanhado mesmo.

O que ela aos poucos e nós também vamos descobrindo, é que o cadete, Serik, está sendo hospedeiro de uma turminha de fantasmas.

Muito do mal.

Inclusive na academia tem ocorrido alguns casos de suicídio e auto mutilação fora do normal, ou fora do esperado pelos superiores da academia.

Como disse, Cadet seria o máximo se fosse melhor editado ou se o diretor tivesse uma ideia diferente de como contar sua história, já que o elenco é ótimo, a ideia toda é bem boa e a resolução cênia dos “fantasmas” é das melhores.

O que salta aos olhos em Cadet é a direção de fotografia, em uma escolha bem ousada de como enquadrar e iluminar os cenários frios, sem sentimento de “família” nenhum, como se o Cazaquistão, representado pela academia militar do filme fosse um lugar inóspito propício à solitude geral.

E quem é o responsável pela fotografia do filme?

Yerkinbek Ptyraliyev, o cara que também foi responsável pela desclassificação do filme à concorrer ao Oscar.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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