353/2025 PALESTINA 36

Antes de mais nada, Palestina 36 é um filme esteticamente lindo demais.

Fiquei de boca aberta desde a primeira imagem porque mal acostumado que estou com o monte de porcaria que assisto, pensei que a diretora palestina Annemarie Jacir fosse encher nossos olhos no começo e relaxar durante o resto do filme.

Tolinho.

Palestina 36 conta a história de 1 ano que antecede o levante anti britânico na então Palestina que vivia sob o julgo da rainha da Inglaterra.

Além disso, a região começa a ser “invadida” por um número enorme de imigrantes judeus que começam a fugir do antissemitismo europeu e do início do nazismo alemão.

O filme tem um número enorme de personagens principais, o que me lembrou muito do Altman e de seu “herói coletivo”, onde histórias importantes de personagens importantes são contadas de forma perfeita a ponto de deixar-nos, meros telespectadores, sem saber pra quem “torcer”, já que todo mundo importa no mesmo nível.

Mas aqui temos Yussuf, um jovem que fica entre a cruz e a espada, entre continuar vivendo na terra de sua família, no seu “passado”, em meio a sua cultura na região cultural e o futuro brilhante que lhe aguarda na “capital” Jerusalém.

No interior Yussuf começa a ser mal tratado pelos colonos judeus que começam ou continuam (desde sempre) a invasão ao território Palestino, com o exército israelense fazendo valer sua fama truculenta e implacável.

Na cidade grande Yussuf se vê tratado um pouco melhor, mesmo vivendo de trabalhos menores que não fazem jus à educação e cultura que ele teve.

Além de Yussuf tem os personagens que são a frente batalhadora palestina, os ingleses colonizadores crueis, frios e calculistas e os palestinos mais velhos que acreditam em acordoss impossíveis.

O que mais me deixou chocado com o filme foi finalmente assistir a versão palestina desse conflito histórico cruel, onde por 1 ano o “Império Britânico” tentou não sair “de suas terras” ao mesmo tempo que a invasão israelense chega a um nível inesperado.

Eu não conhecia a diretora Annemarie Jacir e já sou seu maior fã.

Ela não só realizou um dos grandes filmes do ano mas ela mostra que é uma grande diretora de elenco, onde cada personagem tem sua própria personalidade, seus trejeitos, sua história e não leva essas personagens como apêndices da história.

Algo raro nos dias de hoje.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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