358/2025 NUREMBERG

A primeira coisa que eu fiz ao terminar de assistir o ESPETÁCULO que é Nuremberg foi procurar quem tinha dirigido esse filme e para minha surpresa o nome que apareceu foi de James Vanderbilt, desconhecido para mim.

Até que li que ele é um prolífico roteirista de Hollywood, escreveu Zodíaco e vários Pânicos e mais um monte.

A surpresa foi maior ainda porque a perfeição com a qual Vanderbilt construiu, arquitetou e realizou este thriller, sobre uma das mais importantes histórias da civilização, me deu a impressão que o Polanski da vida estivesse gritando ação e corta.

O filme é não só sobre o julgamento de Nuremberg onde 22 oficiais nazistas de super alta patente presos ao final da II Guerra Mundial foram julgados e condenados por uma corte internacional pela primeira vez na história.

O filme é sobre a forma que um psiquiatra americano, Douglas Kelley (Rami Malek, tão careteiro que dá vontade de dar uns sopapos nele) e seu assistente Sgt. Howie Triest (o preferido Leo Woodall) se aproximam dos nazistões e não só se tornam íntimos, da maneira que conseguem, para terem acesso a informações que não seriam conseguidas com argumentações frias do “inimigo”.

Ah, claro, um dos oficiais nazistas capturados e a esstrela dessa história era o número 2 da heirarquia do mal, o sucessor de Hitler, o ladrão de arte, o cruel, frio e calculista Hermann Göring, vivido por um Russell Crowe abençoado pelos deuses da sétima arte, o que me faz pensar que um ator desse nível precisa de um filme desse nível , e que sorte a nossa de assisti-los, o ator e o filme.

Para os padrões de 1945/6, um espetáculo foi armado na cidadezinha alemã de Nuremberg para o julgamento acontecer e enquanto isso o dr. Kelley foi aos poucos entrando na cabeça e depois no coração de Göring, a ponto de ir visitar sua mulher e filha escondidas e ser um pombo correio de cartas enviadas e recebidas, em meio a mini recitais de piano da filha do alemão. Sim, mais uma vez vemos na história o que eu costumo chamar de monstro humano: o vilão mais desgraçado de todos tinha uma mulher que o amava, uma filha pianista, que esperavam em casa para jantarem juntos, o cara que comandou a construção de mais de 120 campos de concentração e que quando inquirido se ainda acreditava em Hitler, se faria tudo de novo ele disse que sim e saudou o pior homem da história, no que foram suas últimas palavras que acabaram condenando-o à morte.

Os julgamentos de Nuremberg não tinham só a finalidade de condenar e matar os oficiais alemães, se fosse só isso, os aliados poderiam ter dado um tiro na cabeça de cada um ao serem presos, mas sim reunir provas irrefutáveis dos crimes nazistas e dar uma lição histórica aos alemães derrotados e deslegitimar a elite tradicional alemã.

Nuremberg é O filme do Russel Crowe, ajudado de bandeja pelo Malik, mais pelo texto que pela atuação forçada, o que inclusive fez eu tirar meia claquete da nota.

O roteiro nos pega pela mão e nos mostra como um psiquiatra muito esperto (que era “zoado” pelos nazistas por ter uma profissão de judeu), como esse cara conseguiu analisar esses homens horrorosos em favor do que foi usado contra eles mesmos, já que suas anotações eram lidas e relidas pelos advogados internacionais liderados pelo americano Giudice Jackson (Michael Shannon, um dos maiores dos EUA, bem sub-utilizado no geral).

E daí entra o diretor Vanderbilt e seu time de montagem, pós produção, trilha, uma euiqpe incrível que conseguiu entregar uma peça de cinema tão única e tão impressionante que me fez chegar mais uma vez à conclusão que esse tipo de “cinemão” me faz falta demais, qe principalmente num final de ano como foi 2025 cheio de filmes medianos onde os diretores querem aparecer mais que seus filmes.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

2 pensamentos sobre “358/2025 NUREMBERG

  1. feliz Natal para vc tambem(apesar da minha ascendencia judaica) Gosto barbaridade do modo que vc critica os filmes,vou assistir O Agente Secreto por influencia tua(vc tem me sensibilizado para este tipo de produçao) anyway,vc é cinico,divertido,emotivo,cinéfilo ate a medula e da o teu recado de uma forma sui generis,simples e sincera.Keep going,alias vc tem boa pronuncia(english)saude e Paz.

    1. Doni, Feliz Natal, Feliz Hanukkah. Obrigado pelos elogios e fico bem feliz em te animar e te fazer ver mais filmes. A ideia é sempre essa, indicar filmes bons, outros nem tanto, instigar a discussão e não deixar a sétima arte morrer. Saúde e paz pra vc tb!

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