016/2026 BELÉN – UMA HISTÓRIA DE INJUSTIÇA

Depois de um longo e tenebroso inversno cinematográfico, na minha opinião, com Belén – Uma História de Injustiça a Argentina volta a uma boa fase de produção de dramas históricos, 2 deles inclusive responsáveis pelos 2 Oscars que o país venceu.

Este filme em cartaz na Prime Video, está entre os 15 semifinalistas do Oscar 2026 para filmes internacionais (para Hollywood) mas eu sinceramente não acho que será um dos indicados ao prêmio.

O filme é baseado em uma história real horrorosa.

Em Tucumán, uma região extremamente conservadorra no norte argentino, em 2014, uma mulher chega ao hospital acompanhada da mãe passando muito mal com dor na barriga e por vários motivos absurdos, é acusada de infanticídio, de ter ela mesma realizado um aborto no banheiro do hospital, depois que um feto de 8 meses é encontrado em um outro banheiro do prédio.

E depois que ele é examinado por médico, enfermeira e equipe que olham sua barriga, enxergam uma cicatriz de uma cirurgia de apêndice e ninguém fala nada sobre ela estar com 8 meses de getação.

Porque não estava.

Mas quando a plícia encontra o feto no cesto de lixo, já prende a mulher, que no momento está sendo examinada por outro médico. E mesmo assim ela é algemada e levada para a cadeia.

Extremamente mal tratada por todo mundo, onde seu caso é jogado de um lado pro outro, sem ninguém se importar com a mulher, já que ela é uma canalha infanticida e inclusive sua advogada da defensoria pública nem fala com ela, nem conversa, nem quer saber detalhes de nada, só lê uns papeis e lava as mãos até que ela é condenada a muitos anos de prisão.

Soledad Deza, uma advogada que se especializou em apoio a mulheres mal atendidas, está acompanhando de perto o caso e quando a mulher é condenada e sua advogada larga a mão, ela pega o caso e faz tudo para provar que a mulher não é culpada, que nada daquilo aconteceu como todo mundo conta.

Se o filme fosse uma obra de ficção, eu diria que o roteiro era bom demais para ser verdade.

Como é baseado em uma história real, eu digo que não nos nossos piores sonhos a gente imaginaria o descaso como o poder judiciário tratou essa mulher até condená-la.

E que se não fosse por uma santa advogada (porque só pode ser santa uma mulher dessas), ela estaria provavelmente presa até hoje.

A advogada Soledad é vivida por Dolores Fonzi que também é a diretora do filme e faz um trabalho incrível principalmente na direção de elenco. Ela cria personagens amáveis e odiáveis, na mesma proporção.

E o legal é que os amáveis são os mais punks, ou as mais punks, as mais “barulhentas”, as mais combativas enquanto que os odiáveis são os advogados, juízes, policiais que se apresentam sempre super contidos, falando baixo e não dando importância a nada a não ser aos seus narizes.

Eu entendo o ponto de vista da diretora Fonzi, de fazer um filme com cara de documentário, com cara de vida real, apesar de ser totalmente roteirizado nos pequenos detalhes.

Mas eu acredito que se Belén – Uma História de Injustiça tecnicamente fosse mais sóbrio e mais sombrio, com uma trilha mais tensa e com uma fotografia mais contrastada, talvez, o filme seria a obra de arte que merecia ser.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

Leave a Reply