Embaixo da Luz Neon é um dos 5 finalistas do Oscar de melhor Documentário de 2025 e está na AppleTV.
Já te aviso logo de cara que o filme é uma porrada no estômago atrás da outra, de fazer chorar.
E eu que me largo nesses filmes intensos, chorei como um bebê com fome.
Embaixo da Luz Neon conta a história de amor das poetas/escritoras/lésbicas/amantes Andrea Gibbson e Megan Falley, quando Andrea descobre que o câncer que ela tinha e que achava que estava em remissão, na verdade voltou já em outro lugar do corpo.
O filme nos leva a acompanhar os muitos e muitos meses da vida das duas que vivem juntas há alguns anos em uma casa linda, numa família perfeita, com 2 cachorros fofos e uma caixa de correio que não para em pé.
Andrea é uma poeta de SUPER (em maiúsculas) sucesso, tendo transformado o “ler poesia em público” em eventos gigantes de teatros lotados, quase como shows de rock, com plateia enlouquecida e ela cada vez mais uma popstar, que começou, quem diria, como uma escritora que tinha vergonha de ler seus poemas até para suas amigas.
Foi em Megan que Andrea encontrou uma paz e uma possibilidade de amor “eterno” (enquanto dure?) e assistir a vida das duas em princípio é fofo demais.
Mas quanto mais a doença de Andrea vai piorando e se espalhando e tomando “novas caras”, mais a gente vai se sentindo próximo ao casal e principalmente a Andrea, uma mulher fortíssima, uma punk de moicano que usa essa armadura para a vida e assim conseguiu chegar onde chegou até que ela diz no filme que cansou de cortar o cabelo, que ela quer deiar seus cachos serem livres.
Uma das coisas que eu acho mais incrível na história é que Andrea nunca desistiu de seu tratamento, ela sempre disse que mais um dia viva e ao lado de seus amados era mais um dia de felicidade, diferente o que eu tenho visto muito em documentários e ficções dos EUA onde as pessoas desistem dos tratamentos de câncer porque não aguentam toda função de hospital, injeções, remédios fortes, mudanças físicas e psíquicas.
Andrea é um exemplo a ser seguido, é a mulher que enxerga o futuro nem que seja só o amanhã, é a mulher que sabe o quanto viver é um privilégio e que transforma esse privilégio em poesia, em uma obra que eu não conhecia e que a cada verso dito neste documentário eu chorava e soluçava.
O filme é sobre isso, se importar com a vida, se importar com o que se deve ser importante, a dar mais que receber, a viver cada dia como se fosse o último, a aprender sobre o que é relevante e principalmente o que não é e mais importante mesmo, aprender a amar, sempre.
O filme poderia terminar apoteoticamente mas o diretor Ryan White foi mais inteligente que o óbvio e nos mostrou a possibilidade cinematográfica da obra de Andrea, que como ela nos conta, são poemas escritos com as mesmas 100 palavras que ela conhece, em lugares diferentes a cada frase.
Essa simplificação aparente da escrita de Andrea é exatamente o seu estilo, o que a levou ao patamar pop que ela chegou e o que o diretor faz nesse filme é encontrar a poesia de em imagens nada pretensiosas que não chamassem mais atenção do que a história em si.
E ele conseguiu.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

