Outro dia falei que os ingleses são mestres em dramas “épicos” mas pessoais, porque todo drama pessoal é sempre épico em seus desesperos.
Sinfonia de Guerra é mais um drama desses, só que um drama histórico, épico sim, em seu tamanho.
O filme é tão legal que eu fiquei torcendo para que fosse baseado em uma história real mas não, é ficção das melhores, tão boa que eu torcia pra ser real.
O filme se passa em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, em uma cidadezinha fictícia do meio da Inglaterra onde o coral tradicional da cidade, com baixas, porque os homens estão na guerra e para compensar suas vozes entram os adolescentes que ainda não foram chamados para a batalha. E quem mais quiser cantar no coral.
Mas o maior problema do coral é que o maestro anterior foi chamado para a guerra e os rresponsáveis vão atrás do Dr Henry Guthrie (Ralph Fiennes maravilhoso como sempre), um homossexual ateu que fez sucesso na Alemanha como maestro e volta com a moral baixa já que a Alemanha é o grande vilão da Guerra. Tanto que ele está trabalhando como pianista do hotel da cidade. O que no final das contas é bom porque foi fácil convencê-lo a reger o coral.
O que a gente assiste é a formação do coral com o que restou de material humano pela cidade, com um maestro muito mão de ferro, o que acaba sendo necessário nessa situação de caos geral.
O legal do filme é assistirmos a construção de um mundo único, bem específico e muito original.
A direção de Nicholas Hytner é aquela que a gente não enxerga de tão sutil e precisa, muito necessária para um filme desses.
Apesar de ser um filme com o Ralphi Fiennes sozinho no poster, o filme pertence a um mundo meio Robert Altman, o do herói coletivo, coisa mais linda.
Presenciar um roteiro com uma criação de mundo como este é a certeza de que o futuro do cinema já está sendo produzido e contado e dirigido por aí, seja em filmes “pequenos” e despretensiosos como este, mesmo que o filme não seja uma revolução no cinema por vários motivos mas Sinfonia de Guerra é uma preciosidade, uma pequena pérola perdida num oceano de porcarias roludianas que custam milhões de dólares, dirigidas por medalhões, como o Coppola que perdeu total a noção do cinema em si, e continua acreditando, com o seu séquito de minions cegos, surdos e mudos que um Megalopolis é o que o cinema deve ser no século XXI.
Tadinhos deles.
Ah, quase esqueço: Sinfonia de Guerra está na Prime Video, pra nossa sorte.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

