055/2026 O DESAPARECIMENTO DE JOSEF MENGELE

A grande coisa do livro O Desaparecimento de Josef Mengele é que seu autor Olivier Guez contou a história da forma mais fria e esquemática possível do “Anjo da Morte” em seus anos de “desaparecimento” pela América Latina.

Com isso, no livro, a gente vai acompanhando em detalhes, como se estivésemos lá do lado com uma lente de aumento assistindo a derrocada de Mengele, uma das piores pessoas que já viveram neste mundo chamado Terra.

Meu diretor russo preferido, Kirill Serebrennikov, resolveu usar um subterfúgio de edição que quando funciona é ótimo mas quando não funciona, acaba com o filme.

Neste caso, meio que acabou com o filme.

Serebrennikov resolveu montar, editar o filme alternando vários espaços temporais da história.

A ideia de Serebrennikov foi simples: Mengele vai contar a história de sua fuga latino americana para o filho que ele reencontra no final de seus dias quando morava na periferia de São Paulo e recebeu essa visita de reconciliação, pouco tempo antes de morrer afogado na praia de Bertioga no litoral de São Paulo, em 1985.

A graça, o sentimento de satisfação de ver um nazista sofrendo em vida (quase) tudo o que ele mereceu por seus crimes horrendos, aos poucos, quando ele sai de um ídolo para os nazistas que viviam na Argentina e lhe deram guarida a ter que se esconder mais e mais no Paraguai, na Bolívia e principalmente no interior profundo do Brasil.

A “caminhada” de Mengele para o fundo de um poço que não tem fim é muito prazeirosa.

Ver o monstro sofrer, ser achincalhado, ser desprezado, é uma delícia.

E aqui é emoldurado por uma fotografia preto e branca que deixa tudo com um clima de thriller hollywoodiano quase noir, onde o bandido é também a mocinha bandida e também a vítima de um carma que maltratou o nazistão. Inclusive por momentos ótimos, Mengele é mostrado sempre de lado, por trás, nunca com closes frontais, meio que mostrando que ele se escondia tanto, até da câmera. Pena que esse detalhe se perdeu logo ou que não tiveram outros nesse nível de preciosidade fílmica.

Kirill Serebrennikov quis acertar, obviamente, mas escorregou na decisão de não seguir uma linha temporal ascendente, ou descendente, já nos mostrando o que viria, estragando as surpresas do declínio total de um dos top 10 desgraçados da nossa história do século XX.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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