067/2026 CÃO 51

Eu adoro os policiais/thriller do francês Cédric Jimenez.

São filmes violentos, políticos e sempre com uma visão bem particular de Paris e da população francesa em geral. E aqui ele chegou a um novo patamar de orçamento e ousadia. E você sabe que o cara tá bom quando seu elenco tem Louis Garrel, Romain Duris, Valeria Bruni Tedeschi em papeis pequenos.

Cão 51 é seu novo absurdo, agora uma ficção científica disfarçada de thriller que se passa em uma Paris distópica cuja segurança é controlada por uma inteligência artificial.

Pensa na merda.

Pra começar a cidade luz foi dividida em 3 distritos. E os moradores de cada distrito lá estão por “mérito”. Quer dizer, os ricos estão no distrito 1 e assim por diante pra baixo, sendo que o distrito 3 parece um lixão a céu aberto, onde o governo não se importa muito com o que lá acontece sendo que a polícia só entra lá se alguém desse distrito comete algum crime contra alguém do distrito 1.

O 2 é o da “classe média”, bem mediana, um lugar que em princípio não é nem bom nem ruim e quem mora láa pode ir ao distrito 3 mas nunca ao 1.

Para entrar em cada distrito existem barreiras de proteção que parecem de campos de concentração do futuro (presente?) e todas as pessoas, não importa onde moram, usam pulseira de identificação que são controladas por Alma, a inteligência artificial dona da porra toda, porque quem controla a segurança (e o medo) é quem manda em tudo.

Um homem muito importante do governo é morto no portão de sua casa, depois de pasar por todos os check points devidos e Alma, com o suporte de sua polícia, começa a caçada ao homem que o teria matado porque ao mesmo tempo que o assassinato acontece uma van kamikaze tenta atravessar as paradas policiais para uma fuga bem maluca.

A policial Salia (Adèle Exarchopoulos) que vive no 1, é ajudada pelo policial Zem, o cão 51 do título (o incrível Gilles Lellouche, ator fetiche do diretor), a pessoa que mais chega perto do tal matador.

Juntos eles tentam desvendar porque o fodão foi morto e quem encomendou sua morte, meio como foi o caso da Marielle por aqui que, depois de prenderem os assassinos chegaram nos mandantes e nos porquês.

Mas o que a polícia não sabe é que como quem manda e controla tudo é uma inteligência artificial, talvez essa mesma controladora esteja fazendo com que todo mundo acredite no que ela quer, certo?

Não é esse o nosso maior medo com as inteligências artificiais, elas se tornarem onipotentes e conseguirem controlar a si mesmas sem que as pessoas saibam e pior, mesmo que as pessoas saibam, daí a gente perde a consciência do que é real ou não.

Parece familiar? Claro que sim, é só olhar pra fora da sua janela.

Cão 51 é um belo thriller mas é uma ficção científica melhor ainda porque o universo criado ali em Paris é ao mesmo tempo familiar e (se dermos sorte) totalmente impossível.

Mas neste filmes vemos o que aconteceria com nosso mundinho se esse controle da IA pela própria IA acontecesse.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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