068/2026 ELEFANTES FANTASMAS

Retrato da obsessão.

Regra básica de cinema: tem filme novo do Werner Herzog, de um dos maiores de todos, Werner Herzog, a gente assiste.

Especialmente se o filme é um documentário da National Geographic, disponível agora no Disney+, que se chama Elefantes Fantasmas.

Pensei: lá vem o Herzog pirando com mais um ideia maluca (obrigado Desuses do cinema).

Mas não, o “maluco” da história, que de maluco não tem nada, é o naturalista sul africano Steve Boyes, que por mais de 10 anos focou sua vida em encontrar esses elefantes fantasmas, os maiores elefantes do mundo, sobre os quais não existem fotos, imagens, documentos, apenas (e o mais importante) relatos orais de sua existência.

Boyles e Herzog, que narra o filme além de ter escrito e dirigido o documentário, vão até o Museu Smithsonian em Washington, EUA e lá se deparam com o que seria o maior elefante já encontrado e abatido no século passado, um animal de 13 toneladas. Os nossos paquidermes conhecidos e amados pesam entre 5 e 7 toneladas, pra temos ideia do monstro.

E Steve Boyes tem a teoria de que os elefantes fantasmas sejam parentes daquele exposto no museu, elefantes que pesam entre 8 e 10 toneladas pelo menos.

E ele não poderia encontrar diretor de cinema melhor para seu jornada que Herzog, o homem conhecido como focado em seu projetos, dos mais “normais” aos mais ousados.

Um homem que transporta um navio pela floresta amazônica, não pelo rio Amazonas, mas pela floresta, fazer um filme para capturar imagens de elefantes que talvez não existam é fichinha.

Elefantes Fantasmas é o retrato da obsessão de um cientista e de um cineasta, ambos querendo provar suas teorias de qualquer maneira. E para isso atravessam campos e planícies e planaltos de carro, moto, a pé, por um dos pontos mais importantes da África o platô da vida em Angola, onde conversaram e pedem licença a um Rei, usam larvas de insetos como tranquilizantes, enfiam suas mãos em coco de elefantes, dormem ao lado de carcaças de antílopes e por aí vai.

Inclusive se você for sensível (eu sou) com animais que já não respiram mais, vá com cuidado.

E quanto mais o espectador vai se deixando levar pelo filme e vai entendendo o que está acontecendo, ou o que aconteceu fisicamente com aquela equipe, melhor é o prazer e a sensação de conexão.

Spoiler (quase):

A nota só não é mais alta por um motivo bem estranho que não diminui o final do filme, mas que me incomodou muito e meio que explica aquela história de ninguém conseguir gravar um disco voador com uma câmera boa o suficiente para todo ver que ets existem.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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