Que pena que esse filme seja ruim.
Manual Prático da Vingança Lucrativa é um thriller de humor ácido estrelado pelo queridinho do momento Glen Powell que a cada filme que passa vai deixando pra trás essa aura de salvador de Hollywood e se mostra mais do mesmo.
Nem o galã que todo mundo achou que fosse uns anos atrás o cara é.
Aqui ele vive um cara que é um herdeiro de uma família multimilionária com sangue nos olhos.
Ele teve uma vida desgramada porque sua mãe, a filha preferida do ricaço patriarca da família, engravidou de um zé mané e foi mandada embora de casa grávida. O namorado morre e ela cuida sozinha do filho não por muitos anos porque ela mesma morre repentinamente.
O moleque vai crescendo aos trancos e barrancos e na idade adulta resolve reclamar o que é seu por direito.
Ele um dia receberá o dinheiro quando sete parentes anteriores e mais velhos que ele morrerem.
Sem tempo, irmão, ele resolve o que? Sim, matar a galera.
Ideia ótima, com certeza. Funcionaria bem lá pela metade do século passado, quando foi transformada em um filme chamado As Oito Vítimas, de 1949, com o título mais óbvio possível.
Lá funcionou, aqui não mais.
O tempo passou, a tecnologia e a inteligência da polícia é outra e nunquinha que o herdeiro perdido de uma família multi milionária reaparece e todo mundo começa a morrer como alvos fáceis e ninguém suspeite do cara.
Ou melhor, até suspeitam, mas ele, um zé ninguém, pesquisa na internet como matar um povo sem deixar rastros e ninguém olha o histórico de pesquisa do fofo.
Sei.
Além disso o filme tem uma personagen totalmente fora de propósito: a Julia de Margaret Qualley, namoradinha rica de infância do pobretão, vira meio que um grilo falante do mal e começa estorquir dinheiro depois que ele começa a ganhar algum. Do nada. Ela é uma perua patricinha sem graça mais esperta que o FBI.
Como assim?
Powell é o galã das comeadiazinhas bestas românticas que flertam com outros gêneros, geralmente ação, pra mostrar o físico do cara. Aqui foi com o thriller e não funcionou. A culpa não é tanta dele, já que ele se esforça pra ser o patetóide do filme mas falha miseravelmente.
A culpa é de um roteiro que se leva a sério demais onde poderia ter sido uma grande farsa, uma grande palhaçada. E claro que a culpa é do diretor também, que depois de um sucesso retumbante com o ótimo Emily The Criminal, deve ter achado que faria o que quisesse em Hollywood e se bobear não conseguiu nem dirigir seu elenco como deveria.
Ponto alto do filme, que me fez dar mais meia claquete na nota: a trilha tem o clássico da música universal, o ponto alto do cancioneiro brasileiro Take Me Back To Piauí do maior de todos Juca Chaves.
NOTA: 🎬🎬1/2

