Esses documentários da série Untold da Netflix são bem interessantes por terem uma certa liberdade de transitarem por lugares não tão confortáveis.
Neste caso, ao contar a história, ou as histórias, mais escabrosas de um dos maiores jogadores de basquete dos EUA e sua vida como viciado em sexo e drogas, como ele mesmo diz no filme.
Dois pontos do filme me fizeram refletir.
O primeiro deles é sobre a tal da história da superação, que todomundo gosta de mostrar e contar, do herói do esporte que flertou com a maior quantidade de drogas que ele pudesse comprar na vida e está aqui para contar essa história.
Só que no caso, pelo que vemos no documentário, a história de Lamar Odom é mais sobre “ser salvo” do que sobre superar.
A gente vê que ele nnao superou nada, que ele gosta de cheirar cocaína até ter 12 infartos em um final de semana dentro de um motel/puteiro no meio do deserto califoniano.
Ele é o típico anti herói que está mais pro anti do que pro herói, já que sempre foi um cara que sempre ligou pra “farra”, pra sais de casa e voltar depois de 2 dias totalmente acabado, destruído.
É o cara que pensava que no auge da carreira, com o “histórico de atleta” que ele tinha, ele poderia ficar 1 mês se jogando ininterruptamente nas férias e se recuperar nos próximos meses tranquilamente.
É o cara que quando seu terceiro filho morreu, ele saiu a noite com os amigos e voltou sabe-se lá quando. E assim fazia com todos os filhos, não ligando, não se importando e hoje em dia, como diz nas entrevistas, não lembrando de nada, o que é bem conveniente.
Então a história de Odom, ao que concluímos pelo filme, não é a história de superação, a história do cara que se vê no fundo do poço e realiza que ele precisa largar tudo pra conseguir sair dessa situaçnao. Aqui é a história da primeira mulher dele, mãe de 3 filhos, e da segunda mulher, mulher famosa e que o carrega pelos braços.
O que me leva ao segundo ponto da minha reflexão.
Lamar Odom, o grande jogador de basquete, em um momento da vida conhece a Khloe Kardashian, da família famosa, que tem 396 realities passado na tv ao mesmo tempo, a mulher famosa na mídia que se casa com o cara famoso nos esportes.
Odom se deslumbrou com isso, casou com ela em uma festa cheia de sub-celebridades onde ele só chamou um amigo e o colocou na última mesa. Odom gostava da fama, queria estar nos realities, se casou com a famosa depois de 1 mês de papo e, pelo que disse, viu que as possibilidade de farra só aumentariam dali pra frente.
E foi o que aconteceu.
O problema é que eu vi no filme algo que me incomodou muito.
Khloe, a mulher de Lamar, sabia de sua vida de farra (e aqui repito farra pra não usar o termo putaria, porque era além disso, ao que parece). E ela não podia pedir ajuda, contar pra ninguém, fazer nada além de ajudar o marido em segredo porque ele não poderia perder sua carreira no basquete. E seus milhões, obviamente.
Um problema grave no filme foi que sutilmente colocaram a culpa em Khloe da derrocada de Odom exatamente por ela não contar como ele vivia, não contar sobre seus vícios.
E eu penso o quanto é negativo, tóxico para uma pessoa ter que lidar com os erros de outra em um casamento, ter que se sujeitar a não ter vida apesar dos holofotes e sofrer calada e resignada.
Que filme punk, que vida desgraçada.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

