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095/2026 BLITZED!

Finalmente!

Finalmente eu conseguir assistir esse #alertafilmão de documentário sobre The Blitz, a festa que aconteceu em Londres no início dos anos 1980 e que deu forma e cara à um dos maiores e mais importantes movimentos de cultura pop.

Lá em 1979, 2 grandes amigos, Steve Strange, um gay e Rusty Egan, um hétero, como eles gostavam de deixar sempre bem claro, resolveram fazer uma festa para seus amigos malucões em um clubinho bem underground para eles ouvirem David Bowie.

Não tinha nada assim naqueles dias de final do punk, final da Margareth Thatcher, de ressaca do desespero da direita na Inglaterra.

Os amigos de Steve e de Rusty gostavam de se montar, gostavam muito de música, gostavam de sair, e principalmente gostavam um do outro. Médio.

De uma festinha que foram 200 pessoas no apartamento de Rusty à primeira noite no “buraco”, a festa Blitz logo virou referência em Londres e quem importava lá estava.

De Boy George aos caras do Spandau Ballet e Ultravox, que foram lançados na Blitz, que depois virou um clubinho, os estilistas, artistas, fotógrafos, designers, o povo da arte, produtores, diretores, mas tudo molecada, já que a faixa etária era de 20 e poucos anos. Quer dizer, gente que viraria isso tudo um tempinho depois.

E como dizem neste documentário, o Blitz era o lugar em Londres onde você encontrava do músico ao designer da capa do disco do músico, à estilista que vai fazer o figurino, o fotógrafo, o cara da gravadora e assim ia.

Os Blitz Kids.

Meses depois de aberto, o próprio Bowie foi a Blitz escolher o elenco de seu próximo curta da maravilhosa Ashes To Ashes.

Steve Strance foi.

Boy George ficou doido por não ter sido escolhido.

Outra história boa foi Strange barrar a entrada de Mick Jagger na festa por não estar vestido apropriadamente.

Esse era o marketing da Blitz, ser uma festa exclusiva e tão boa que o próprio Bowie tinha ido escolher as pessoas para o clipe.

E o legal do documentário é ter as principais pessoas (que ainda estão vivas) dando seus depoimentos, contando suas histórias, sem vergonha, sem pudor, porque foram pessoas que nunca tiveram vergonha nem pudor.

A Blitz mudou a cena pop inglesa, da música ao figurino e atitude, onde os jovens eram aceitos, todos juntos e misturados, gay, hétero, branco, preto, menos o Mick Jagger.

O legal de ver esse filme é conseguir realizar o que eu lá atrás via só nas fotos das revistas e jornais gringos que eu comprava na galeria do rock quando era moleque e ia lá pra comprar os discos importados que nunca chegavam por aqui.

Outra coisa muito legal foi tentar criar relações da Blitz com 2 festas de São Paulo que eu fui dj e frequentava semanalmente, a festa Grind n’A Loca onde eu “virei” dj e a Crew, a festa que eu produzi e que existiu por 7 anos.

Claro que nada chegava aos pés da Blitz, nem as festas que eu também frequentava nos anos 1980 no Radar Tantã, no Madame Satã, como um adolescente tímido, que amava música e que via shows de seus artistas amados todos os finais de semana. E que descobria músicas que os djs tocavam que já me conheciam como o cara de fora da cabine de dj que ficava perguntando quem era a banda e anotava tudo em papeizinhos.

A Blitz mudou o mundo, pelo menos o meu mundo, que floresceu naquela época dos New Romantics, da New Wave, como era chamada aqui, no Pós Punk tupiniquim que sentiu mesmo através de um oceano atlântico a doideira maravilhosa das terças feiras de Londres.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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