Dominik Moll, diretor e roteirista deste #alertafilmão, mostrou muito bem em seu filme anterior, A Noite do Dia 12, o tipo de cinema obsessivo que tão rapidamente viraria sua marca registrada.
Caso 137 é um filme sobre o fato generalizado do zeitgeist de que os policiais são odiados, desprezados e que a população em geral deve temer sempre os uniformizados.
Mesmo sendo um filme sobre uma policia, Stéphanie (vivida pela fantástica Léa Drucker), que trabalha na corregedoria da polícia, investigando exatamente esses policiais “do mal”.
Só que ela mesma (e seu ex marido também policial) sofrem esse estigma em casa quando o filho adolescente lhe pergunta por que todo mundo odeia a polícia.
Mesmo ela explicando que não é todo policial (mas é sempre um policiail), que existem policiais bacanas e principalmente ela explica o que ela propriamente faz na polícia, não convencem o filho a acreditar em nada daquilo, ao ponto de dizer para seus colegas na escola que o pai e a mãe são professores.
O que assistimos na história do trabalho de Stéphanie no filme é uma investigação sobre o abuso policial durante um protesto dos coletes amarelos quando um jovem leva um tiro de bala de borracha na cabeça tão violento que acaba ficando meses internado no hospital depois de ter o crânio e o cérebro destroçados pela violência à queima-roupa.
Sua investigação acaba provando que os policiais envolvidos no caso mentiram durante a acareação. Pelo bom trabalho da investigadora e de sua equipe, acabam descobrindo vídeos contradizendo os (quase) assassinos.
Acontece que na polícia, e na justiça em geral, as boas e velhas tecnicalidades fazem com que os advogados mais espertos consigam provar que mesmo com provas em vídeo, pequenos escorregões de conduta, de ações, de “segredos” são suficientes para que o caso corra para longe da vítima e a favor dos supostamente culpados.
Dominik Moll mostra que mesmo tendo uma policial com toda a ética possível, se ela falou com um, foi à casa de outro, conseguiu provas de forma não usual, tudo vai por água abaixo.
E pior.
Se a perícia não consegue provvar se a bala que atingiu a vítima saiu da arma de um policial ou de outro, conclui-se que ninguém seja culpado, e vida que segue.
Mas a vida que importa é a da vítima que vai ficar com sequelas graves pelo resto da vida (ah, mas pelo menos não morreu). E também a vida da policial investigativa que mais uma vez acaba levando bronca séria por seus atos não tão usuais de investigação, mesmo que levando a conclusões estarrecedoras, esclarecedoras e corretas.
Parabéns ao diretor Moll que com este filme poliu a ideia do filme anterior, a do cinema que mostra as coisas na palavra, como um belo dsicípulo de Mamet que é, que conta uma vez o atocriminoso e que dali pra frente mostra as reações e as versões dos envolvidos, enquanto diretores escandolosos preferem dar closes em cabeças explodindo por aí.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

