115/2026 PAPAGAIOS

O sucesso de público de Papagaios veio pelo prêmio de público do Festival de Gramado de 2025.

O que me deixou chocado!

Não porque Papagaios seja um filme ruim, muito longe disso, mas porque Papagaios é um drama triste e cruel.

Se o diretor Douglas Soares desse mais alguns passos, Papagaios seria um belo de um filme de horror.

Eu achei que Papagaios fosse uma comédia sobre os velhos e bons “papagaios de pirata”, aquelas pessoas que gostam de ficar nos fundos de programas de televisão, ou de matérias jornalísticas nas ruas, que aparecem por sorte e se acham famosos, pelo menos famosos entre eles, o que é engraçado, a ponto de uma ideia os papagaios terem uma conversa sobre abrirem um sindicato.

O foco do filme é o dia a dia do Tunico, vivido pelo grande Gero Camilo que foi premiado como Melhor Ator em Gramado por este filme.

Sua vida gira em torno de seus “compromissos” como papagaio e como ele vai resolver seus problemas diários para que ele tenha mais tempo para aparecer onde ele gosta de estar: na frente das câmeras.

Um dia Tunico é “salvo” por Beto, um carinha bonitão, que já vinha acompanhando essa vida do papagaio e que logo confessa que também quer virar um “astro”, o que faz com que Tunico o leve pra casa e o considere seu aluno, seu sucessor.

Tunico queria uma coisa, Beto queria outra e o relacionamento de ambos, e relacionamento aqui é um termo usado com uma amplitude linda neste filme.

A minha esperança de uma comediazinha tranquila foi destruída por um roteiro estranho, no melhor sentido do termo, porque ele demora a nos mostrar onde o filme vai dar, onde a história vai nos levar e o que aquele relacionamento vai gerar.

Papagaios é uma surpresa boa, em um cinema nacional certo do que vem produzindo e lançando, sendo um quase horror, um filme de violência e tensão pulsante, à flor da pele, quebrando o padrão, o que é o que eu sempre espero de um filme.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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