O sucesso de público de Papagaios veio pelo prêmio de público do Festival de Gramado de 2025.
O que me deixou chocado!
Não porque Papagaios seja um filme ruim, muito longe disso, mas porque Papagaios é um drama triste e cruel.
Se o diretor Douglas Soares desse mais alguns passos, Papagaios seria um belo de um filme de horror.
Eu achei que Papagaios fosse uma comédia sobre os velhos e bons “papagaios de pirata”, aquelas pessoas que gostam de ficar nos fundos de programas de televisão, ou de matérias jornalísticas nas ruas, que aparecem por sorte e se acham famosos, pelo menos famosos entre eles, o que é engraçado, a ponto de uma ideia os papagaios terem uma conversa sobre abrirem um sindicato.
O foco do filme é o dia a dia do Tunico, vivido pelo grande Gero Camilo que foi premiado como Melhor Ator em Gramado por este filme.
Sua vida gira em torno de seus “compromissos” como papagaio e como ele vai resolver seus problemas diários para que ele tenha mais tempo para aparecer onde ele gosta de estar: na frente das câmeras.
Um dia Tunico é “salvo” por Beto, um carinha bonitão, que já vinha acompanhando essa vida do papagaio e que logo confessa que também quer virar um “astro”, o que faz com que Tunico o leve pra casa e o considere seu aluno, seu sucessor.
Tunico queria uma coisa, Beto queria outra e o relacionamento de ambos, e relacionamento aqui é um termo usado com uma amplitude linda neste filme.
A minha esperança de uma comediazinha tranquila foi destruída por um roteiro estranho, no melhor sentido do termo, porque ele demora a nos mostrar onde o filme vai dar, onde a história vai nos levar e o que aquele relacionamento vai gerar.
Papagaios é uma surpresa boa, em um cinema nacional certo do que vem produzindo e lançando, sendo um quase horror, um filme de violência e tensão pulsante, à flor da pele, quebrando o padrão, o que é o que eu sempre espero de um filme.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

