Sempre que eu vejo fotos, vídeos, filmes, livros sobre o punk em Nova York, eu fico muito impressionado com a imagem de um moleque de 11 anos de idade com cara de muito bravo, baterista do The Stimulators.
É o Harley Flanagan, e tocava lá porque era a banda da tia dele.
Eu sempre ficava pensando: o que poderia acontecer com um moleque tão novo entrando nessa cena tão visceral, no auge.
A história sempre pulava pra ele já “velho”, com seus 18 anos de idade, frontman de sua banda Cro-Mags, tatuadaço, detonado, todo cagado.
Pra minha e pra sua sorte o diretor e fotógrafo Rex Miller nos presenteia com este documentário incrível sobre o moleque Harley Flanagan, agora já não tão novinho, que conta sua história, de peito aberto, com todos os seus baixos e alguns poucos altos, mas que foram muito altos, compensando todo o caos ao redor.
O grande mérito do filme foi ter usado uma quantidade enorme de material existente sobre a época que me deu a impressão por vezes que lá no CBGB em 1979 o povo tinha celular e fotografava e gravava tudo.
Foi a primeira vez que eu tive essa sensação o que mostra o quanto a edição deste filme é boa, o quanto a pesquisa foi boa e o quanto o diretor Miller foi inteligente o bastante ao perceber que quanto mais gente ele tivesse nessa equipe de decupagem, pesquisa, melhor seria o filme entregu.
Harley Flanagan é um personagem único, não consigo pensar em ninguém do punk ou do hard core, ou mesmo do rocknroll com uma trajetória parecida.
O cara se jogou forte no que amava e que também ao que parece pelo filme, foi a única forma de amor que ele tinha conhecido até então. Falar de amor no punk é foda, complicado, mas o que percebo aqui que além do instinto de sobrevivência, Harley se agarrou no que conseguiu em situações e momentos que me parecem ser de procura por algum tipo de afeto sim.
Os punks também amam. hehehehe (cafona eu)
Mas isso se confirma na parte final do filme onde vemos aquele molequinho punk dos 1970s nos dias de hoje com família, filhos, dando aula de “brazilian jiu jitsu”, sobrevivendo cheio de arranhões pra contar sua história única. História bem punk. Do jeito que eu gosto.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

