Eu quase amei este Martin Short: Uma Vida de Comédia, que estreou na Netflix.
O documentário sobre, na minha opinião, o maior comediante da América do Norte, mesmo ele sendo canadense, tem um início muito chato.
E eu te digo porque: a vida de Martin Short, antes dele ser o artista que tanto amamos, sua infância, adolescência, foram ótimas. Sua família é ótima, seus irmãos trabalham com ele até hoje, seus pais criaram seus filhos e uma família de dar inveja.
E isso não dá bom cinema. Muito menos bom documentário.
É até feio falar uma coisa dessas, mas infelizmente o público espera drama, especialmente em histórias reais. Quer mais legal que história de criança que teve infância desgraçada e vira artista maravilhosa?
Tem, criança com infância boa. Mas cinematograficamente falando, dramaticamente falando, não rola.
A partir do momento que a gente acompanha a vida de Martin Short na cidade grande, trabalhando com um grupo de comediantes incríveis nível Catherine O’Hara (sua amiga da vida) e Eugene Levy (seu melhor amigo desde sempre), a partir daí o filme muda.
Quando começamos enxergar como Martin se tornou Martin Short, o que teve que passar, como se mostrou um grande comediante desde o início, mesmo ele dizendo que é um ator que faz comédia, o que talvez explique seu estilo, seu gênio.
E aqui eu escrevo e falo gênio de boca cheia porque na minha opinião, o maior personagem criado nos últimos anos, ou décadas, é Jiminy Glick, o entrevistador de celebridades obeso, desbocado, mal educado, desrespeitoso mesmo. Parece que se esconder atrás de uma maquiagem pesada dá a Martin Short a liberdade de detonar seus entrevistados super famosos e poderosos, que aceitam porque já sabem o que esperar mas que sempre dizem que não esperavam onde daria.
O ponto alto da vida de Short, que me deixou muito emocionado no filme, é o lado família. E os baques pelos quais ele passa, com a família que tem, acabam tendo um peso aliviado por muito amor.
E esse amor a gente vê de quem trabalha com ele, de seus amigos íntimos, que vão do diretor deste filme Lawrence Kasdam a Spielberg, de Tom Hanks ao parceiro da vida de Short, Steve Martin.
Para nossa sorte, Martin Short sempre teve uma câmera de vídeo e as imagens de arquivo que assistimos neste documentário são preciosas.
Por mais que as histórias sejam contadas e montadas na edição de um filme, a gente sente o amor que sempre envolve a vida pessoas e a vida profissional de Martin Short, o maior de todos, o mais engraçado, o mais rápido e recentemente, o namorado da Meryl Streep. Não é pouco.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

