142/2026 HERESIA

Surpreendente este Heresia, um folk horror holandês.

Sim, um horror caipira diretamente do país mais sem cara de caipira.

E com monstro. Com corpo desfigurado e muito mais.

A história se passa em uma vilazinha no meio do mato holandês lá pela Idade Média, em uma comunidade de muita fé ao mesmo tempo que muito fanatismo, o que deveria ser o normal naqueles dias.

Um casal jovem passa apuros entre seus vizinhos e familiares porque ela não consegue engravidar. E obviamente a culpa era dela, Frieda, porque onde já se viu o homem ter algum problema principalmente nessa “área” por não poder engravidar a mulher.

Acontece que logo acontece um pequeno, hmm, embrólio no povoado quando um cara chamado Gelo fica uns dias preso por ter abusado de outra jovem que não conseguia engravidar.

E parece que esse é o modus operandi ali na vila, se uma mulher casada não engravida, sorrateiramente outros homens podem (sem poder) estuprá-las para ver se o problema era dela ou do marido.

E depois de uns dias preso, Gelo é solto e a jovem estuprada ainda teve que pedir desculpas ao seu algoz.

E liberto, o lixo humano começa a ameaçar a jovem Frieda que depois de abusada em uma noite, para fugir do bandido, entra na floresta proibida, tenta fugir dele e é “salva” por alguma força/criatura/monstro/fada madrinha, conhecida como Witte Wieven, que são espíritos de mulheres sábias na mitologia holandesa que ainda exxiste hoje em dia e remete ao século VII, na era pré-cristã.

Frieda volta para casa toda machucada e Gelo não é visto tão cedo. Quando os homens da vila vão atrás dele, o encontram exposto e bem violado.

O povo tem certeza que quem o deixou naquele estado foi algum monstro da floresta proibida ao mesmo tempo que Frieda também é culpada por ter sido molestada pelo, de novo, lixo humano.

Toda essa história pra contar que a grande heresia de Heresia foi ter colocado no meio do filme uma viagem esotérico-psicodélica de Frieda que na hora me deu um susto absurdio fazendo inclusive que minha alegria com o filme recebesse um balde de água fria.

Mas tudo em Heresia é lindo, o que acaba compensando esse pequeno deslize.

A “arte” do filme é deslumbrante: a direção de fotografia aliada à direçnao de arte criam a melhor atmosfera possível para uma história tão antiga e tão significante: a da mulher que é diminuída de todas as formas possíveis, ou por não engravidar, ou por ter sido estuprada, ou por ter entrado na floresta proibida, ou por ter ligações com monstros/bruxas.

E digo uma coisa: que bom que essas ligações existem.

O diretor Didier Konings trata a história como se fosse um poema visual de filosofia de horror.

Ele vem de uma experiência incrível como diretor de arte de muitos filmes grandes, o que explica o visual deste Heresia, mas aqui também mostra que sabe contar uma história, que sabe filmar e sabe transportar o roteiro para a tela.

O que nos dias de hoje é muito mais do que a gente vê por aí.

E tem algo mais legal que filme de horror caipira baseaddo em lendas “reais”?

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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