No meio da sessão de Backrooms eu fiquei pensando: ué, esse filme tá amais pra ficção científica do que pra horror.
Calma cocada.
O horror veio e veio com os 2 pés no peito.
Quando terminou o filme eu pensei: será que toda ficção científica é na verdade um filme de horror?
Não sei se toda, mas a os bons, os grandes, são realmente filmes de horror.
Mais uma vez entrei no cinema não sabendo nada desse filme, só que era o filme mais visto da história da A24 e que seria uma mistura da ideia da série Ruptura com alguma coisa que não me lembro agora.
Conclusão: os críticos que querem hypar são tão rasos que a comparação com Ruptura não passa dos corredores infindos lá e cá. Filosoficamente, ambas as obras não poderiam ser mais diferentes.
Backrooms é sobre o momento que Clark (Chiwetel Ejiofor,), dono de uma loja de móveis, descobre em uma parede do andar inferior da loja um “portal”, uma passagem para, como o título nos conta, um não-lugar.
Clark é recém separado da mulher, que o mandou embora de casa, faz terapia com a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve), meio famosinha nas redes sociais e mora na loja, onde dorme em jogos de cama de casal em exposição, sempre sonhando em realizar seu sonho de trabalhar como arquiteto, o que ele nunca conseguiu e ele culpa a ex mulher por isso.
Quando ele atravessa a parede e vai para esse não lugar obviamente ele pira.
Primeiro ele não entende como isso aconteceu, como ele atravessou uma parede e quanto mais ele anda por esse não lugar, que parece um labirinto de não-possibilidades físicas, mais ele se depara com objetos, móveis, peças de roupas, de sapatos, em “situações” estranhas, ou empilhados, ou afundados no chão e nas paredes, ou espelhados, como um placa de STOP que se lê POTS e por aí vai.
Clark quer entender o que está acontecendo, primeiro pedindo ajuda a sua terapeuta e depois pedindo ajuda a sua funcionária Kat e o namorado Bobby, que produzem os comerciais toscos para a loja e vão para o não-lugar com sua câmera de vídeo na esperança de gravarem alguma coisa bizarra ou muito fora do comum que sirva de explicaçnao ao que está acontecendo.
A escalada de desespero de Backrooms é muito boa.
A mudança de clima de Clark que começa vivendo um drama de vida extremo, passa pela situação de ficção científica bizarra e escala para o horror sanguinolento lychiano no não-lugar.
O roteiro é bem bom, faz muito sentido no não-sentido, na criação de um mundo construído com uma função óbvia que é f*der com a cabeça do espectador. E o filme consegue completar essa luta quase inglória porque o diretor Kane Parsons é bom, sabe o que está fazendo e sabe o que quer.
Daí fui procurar saber sobre o diretor e meu queixo caiu: o cara tem 20 anos de idade, é um youtuber que desde seus 14 anos vem criando esses mundos bizarros e esses backrooms em seu canal online.
O cara que nunca estudou cinema, que largou a escola para fazer esse filme, que “brincava” de fazer terror no youtube em softwares grátis, do jeito que dava, filmando o que conseguia, produzindo como fosse possível realizou O FILME da temporada.
Backrooms deveria ter nota máxima mas algum cuzão da A24, provavelmente o James Wan que é o produtor executivo deste filme, deve ter dito pro Parsons “cara, tenta dar uma explicadinha no final, tenta dar um respiro pro público, quem sabe a gente não pensa em uma sequência”. E essa estupidez quase detona tudo o que a gente tinha visto até então.
Sorte a nossa que o “moleque” de 20 anos de idade deve ter esperneado pra entregar o que vi no cinema e desde já, o agradeço imensamente.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

