O Falsário e o novo fenômeno na Netflix, um drama italiano misturado com um bom thriller com a possibilidade da história ter sido ligeiramente inspirada em um caso real.
Veja bem que eu falei fenômeno NA Netfflix e não DA Netflix, porque eu tenho cada vez mais certeza que esses anúncios deles de “filme em primeiro lugar em mais de 60 países no mundo” não quer dizer muito quando a plataforma não lança filmes realmente bons para entrarem em um nível de comparação no mínimo razoável.
Mas O Falsário não é ruim. Poderia ser melhor se fosse mais parecido com o trailer, que mostra que a época que a história se passa era mais interessante que a história contada em si.
O Falsário é um artista plástico que se muda para Roma no início dos anos 1970 com o sonho de ser famoso e rico, claro, e descobre de cara que seu talento para a pintura clássica não o levaria longe na época da pop art, do abstrato e por aí vai.
Mas o real talento de Toni (Pietro Castellitto) era na verdade conseguir copiar qualquer quadro à perfeição. Ou como ele mesmo dizia, seus quadros eram “melhores que os originais”.
Nas mãos de uma marchand aproveitadora e inescrupulosa, Toni começa fazer cópias de quadros famosíssimos e o dinheiro vem. Muito dinheiro vem. E junto vem sua entrada no submundo primeira da falsificação de arte e logo depois no submundo violento do crime, já que uma das gangues mais famosas de Roma o procura para que ele falsifique documentos, assinaturas e o que mais eles quiserem.
Como eu disse, o filme é inspirado na história de Toni Chichiarelli, que viveu naquela época em Roma mas que no filme, a partir de um roteiro muito esperto, o colocou como figura chave de vários eventos criminosos que mudaram a cara de uma Itália já perdida e corrupta, como o sequestro do Primeiro Ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas e um dos assaltos mais famosos da história do país.
Eu me diverti muito com o filme exatamente pelo fato do roteiro brincar com a possibilidade de tudo isso (e muito mais) estar interligado a essa figura bem polímica que foi esse falsário que se bobear, teve uma vida bem medíocre e sem graça.
Mas pra que existe o cinema senão para transformar figuras que poderiam ser interessantes em personagens incríveis?
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

