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165/2026 BLUE FILM

Blue Film é um dos filmes mais esperados por mim neste 2026.

Mais uma vez o marketing e o desespero gay tentaram fazer um filme bom ser a salvação do cinema.

Não é. Inclusive Blue Film está longe de ser salvação de qualquer coisa.

O ponto mais importante é a ousadia do diretor e roteirista Elliot Tuttle que toca em um ponto no mínimo polêmico para desenvolver a história do michê, cam boy, que vai passar a noite com um fã que lhe pagou 50 mil dólares pelo privilégio.

A sensação da última temporada Kieron Moore (de Boots) vive o tal michê Aaron Eagle, um cara que se diz dominador, que trata seus fãs como escravos, os trata mal, os chama de viadinhos, de bichinhas, exige dinheiro, exige que eles paguem suas contas e consegue que um deles lhe ofereça 50 mil dólares por uma noite juntos e que segue a filosofia do “lavô tá novo”.

Só que quando o bonitão, fortão, peludão, marrento, dominador chega na casa de um homem que usa uma balaclava e que pede pra ele tirar a camiseta, sentar no sofá e liga uma câmera de vídeo apontada para o cara e ali começa um bate papo bem peculiar.

Por motivos de não dou spoiler, não vou me aprofundar em detalhes importantes do roteiro porque acho que as surpresas do filme são importantes o suficiente para que eu as estrague por aqui.

O que parece uma tara, um fetiche, aos poucos vai se mostrando algo maior e mais complicado. Ou mais bizarro.

A história que a gente vai assistindo é proibida, controversa, tabu e como disse, dou os parabéns ao diretor por caminhar por terreno pantanoso e nebuloso.

Acontece que não adianta ter um roteiro sobre tema tabu com cenas que beiram o proibido se o mise-en-scène não acompanha a ousadia.

O que me desanimou, as vezes irritou, em Blue Film foram as escolhas da direção de fotografia, essa luz colorida que lava o cenário, que já está batida por demais, tenta dar um ar de modernidade gay a um tipoo de filme que guardadas as devidas proporções poderia ser um drama nórdico profundo e contundente.

Quem rouba o filme é o homem da balaclava, vivido pelo subestimado Reed Birney, que dá um baile no personagem michê do Kieron Moore e no próprio bonitão que eu torço para que melhore muito porque eu vou muito com a cara dele.

Apesar de todos os pesares, que na verdade são bem poucos, eu adorei Blue Film.

O filme tem uma aura de fetiche (inclusive com a luz que não me apeteceu) para nos levar a lugares incômodos. E algumas cenas que ao mesmo tempo que são muito eróticas são tão erradas que nos causam, pelo menos em mim causaram, um desconforto que só uma obra de arte poderosa e potente causa, para o bem ou para o mal.

No caso de Blue Film eu precisa ainda saber pra que lado me levou.

Só sei que eu agradeço e muito a expeirência.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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