167/2026 DIA D

Obviamente um filme do Spielberg não pode ser ruim.

E um cara que gasta 150 milhões de dólares para fazer uma ficção científica tem todo meu amor e minha admiração.

Mas Dia D não é um filme bom.

Parece que Spielberg, autor da história original, do roteiro e diretor do filme, quis contar neste filme várias histórias quase interessantes, que talvez funcionassem melhor em uma série, que se encontram até que bem no final.

A primeira história é da personagem da Emily Blunt, uma mulher do tempo de uma televisão local que de repente começa a falar em russo com o namorado, em coreano com um entrevistado da tv e no ar, ao apresentar seu quadro, começa a falar em uma língua estranha que logo entendemos ser falada por ets.

A segunda história é a do personagem do Josh O’Connor (agora chega de vez dele, por favor), um cara fugindo de um FBI alternativo com a namorada (Eve Hewson, a Bona, filha do Bono), carregando uma mochila cheia de arquivos de encontros que já aconteceram com discos voadores, OVNI’s e extra terrestres, registrados já há 79 anos.

A terceira história é a do personagem do Colman Domingo, em seu melhor papel da carreira, como um cara que passa quase todo o filme construindo um cenário de uma casa enquanto que pelo telefone fica arranjando formas de salvar a vida do cara da mochila com as infos dos ets.

Tem uma outra historinha, que é menor, do vilão vivido pelo Colin Firth, que quer recuperar os arquivos seja como for, com seu exército de carros pretos blindados, homens e mulheres fortemente armados em seus ternos pretos atrás dos bonzinhos.

Bonzinhos ou heróis porque eles todos querem divulgar para o mundo que os ets estão entre nós há décadas.

Mas ao invés de jogarem tudo na internet eles armam um esquema meio besta para transmitirem pela televisão, por esse canal pequeno de uma cidadezinha qualquer, onde por acaso a Blunt é a moça do tempo.

A ideia toda é legal e mesmo tendo 3 ou 4 histórias que vão rolando no paralelo e que eventualmente se encontram, nada daquilo precisaria ter acontecido se eles colocassem os arquivos no ar.

Tem um momento que o vilão fala: eles estão planejando algo grande porque se quisessem já teriam divulgado o material.

O problema é que o que planejavam não faz muito sentido.

As histórias que são criadas para o filme chegar ao final são fracas, boas mas fracas. E olha que o filme é escrito a 4 mãos poderosas, duas do Spielberg e duas do David Koepp que é tipo papa do roteiro de Hollywood.

Uma dessas enrolações é uma sequência de fuga com roubo de carros do personagem do Josh O’Connor que deu até uma vergonhazinha de como é mal resolvida na tela e no roteiro.

Daí fico pensando quanto um diretor como Spielberg aprova uma sequência de 10 minutos gigante como essa. Um cara conhecido por ser um super detalhista, principalmente pelo dinheiro que tem para fazer seus filmes, deixar passar o que a gente vê na tela dá até raiva.

Mesmo assim não tem como não gostar de um filme desses, com uma história bem boa onde ele até enfiou religião para discutir Deus na cara dura, com uma fotografia como a do mestre dos mestres Janusz Kaminski, na direção de arte, nos detalhes de figurino e objetos e na própria direção do filme que mais uma vez mostra que Spielberg é sim um dos maiores de todos pelo conjunto da obra e por se mostrar sempre um belo de um diretor, mesmo entregando um filme que não é uma obra de arte, que tem sequências discutíveis, diálogos rasteiros e soluções já vistas várias vezes antes, principalmente no final de Dia D.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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