Pergunta: o que acontece quando juntam “o pior diretor do mundo” com “o ator mais cancelado da história”?
Resposta: o pior filme do ano. De muitos anos.
Armei Hammer, o cara que já foi chamado de “o futuro de Hollywood”, o cara rico, lindo, gostoso E bom ator, como se precisasse, foi acusado de ser um canibal. Lembra? Várias mulheres com quem ele “se relacionou”, pra ser educado aqui, o acusaram de várias coisas mas principalmente mostraram mensagens de texto onde ele dizia querer comê-las biblicamente falando.
Dizer que Armie foi cancelado é ser simplista demais: ele foi vilipendiado, escrutinado, detonado, xingado de todas as formas possíveis.
E sumiu.
Quando ele resolve, ou consegue, como ele já declarou, voltar ao cinema ele escolhe (não que tivesse opção) fazer um filme de Uwe Bolll, o alemão considerado o pior diretor do mundo que além de todos os seus pecadilhos cinematográficos agora se mostra um extremista de direita escroto.
Alemão neo nazi? Quanta surpresa.
Cidadão Vigilante é Sanders, um americano vivido por Armie, que mora na Alemanha e por lá vira o que o título nos conta, um vigilante, um homem rico, alto, forte e inteligente que vinga mulheres vítimas de abusos extremos cometidos por imigrantes.
Sim, o filme Cidadão Vigilante é um libelo anti-imigração em um país europeu que só funciona por causa dos imigrantes.
Cidadão Vigilante, mais que um filme, é um panfleto xenófobo com um discurso tão repugnante que me embrulhou o estômago várias vezes mas que eu respirei fundo e cheguei até o final para o bem do blog e desta resenha.
Uwe Boll não só não faz nada direito como diretor e diretor de fotografia mas também é um zero à esquerda em relação ao roteiro desta joça. Nada funciona. Nada é convincente.
A meia claquete da nota foi por motivos estético-objetificatórios, porque Sanders vai a um puteiro e enquanto transa com a mulher e faz um discurso econômico bem estúpido, ele está semi nu.
Pra compensar, o filme tem a pior sequência do século onde por vários e muitos minutos, um batalhão da SWAT vai invadir a casa do suposto vigilante e fica uma fila estúpida de homens super paramentados subindo escadas, andando por corredores, subindo mais escadas e no meio deles o chefe da Interpol com um terno bem cortado e uma blusa de gola rolê com cara de que nada vai me atingir.
Mas voltando ao panfletário, o filme é tão bosta que na abertura do filme tem uma frase bem escrota e quando você vai ler quem a disse, ou escreveu, está lá “anônimo”. Quer dizer…
Isso resume muito esse horror que é Cidadão Vigilante: Uwe Boll tirou ideias e dados e sei lá mais o que do fiofó dele próprio para contar a história de que os europeus estão sendo abusados e mortos e violentados por imigrantes sem caráter, povos com moral diferente, com costumes diferentes, guiados pela religião mas que deveria entender que eles estão errados e que deveria voltar para seus países em guerra, e como diz o personagem principal aqui, “parece que os verdadeiros heróis do seu país ficaram por lá e os bandidos, os malvados, vieram para cá”.
Meio que enxerguei esse Cidadão Vigilante como primo irmão do filme do Pangaré do Bozo: mesma filosofia nazi fascista em forma de filme “realista” errado do começo ao fim.
Armie Hammer, depois dessa, depois de se unir a um projeto neo nazi, acho que qualquer dúvida que tínhamos a seu respeito, ao seu caráter, agora foi esclarecida. Volte pra vida medíocre que você vinha levando e nos deixe em paz.
NOTA: 1/2🎬

