Existe uma linha muito tênue entre a obra que busca expor uma ferida da cultura pop e o produto que simplesmente lucra revirando essa mesma ferida com requintes de crueldade.
I Was a Child Bride: The Courtney Stodden Story não apenas cruza essa linha, como a atropela em alta velocidade. Para ser absolutamente direto: estamos diante de um verdadeiro lixo cinematográfico, um título que ofende tanto pela sua indigência técnica quanto pela sua abjeta falta de ética.
É doloroso presenciar uma execução tão paupérrima, exalando aquele aspecto amador de projetos feitos a toque de caixa apenas para surfar em uma polêmica requentada. A direção é letárgica, a fotografia não possui qualquer intencionalidade e a montagem parece ter sido feita sem o menor zelo narrativo.
É um filme estruturalmente mal realizado, que falha miseravelmente no básico da linguagem audiovisual e não consegue sustentar o peso de sua própria premissa.
Porém, a mediocridade técnica acaba se tornando o menor dos problemas quando analisamos a bússola moral da obra. O filme não beira a exploração imoral; ele mergulha nela de cabeça. A trajetória de Courtney Stodden — um caso escancarado de vulnerabilidade, aliciamento e manipulação sob os holofotes impiedosos da mídia — exigia responsabilidade, respeito e um olhar severo sobre a indústria do entretenimento. Em vez disso, a produção opta pelo sensacionalismo mais rasteiro e predatório possível. O longa não denuncia o circo midiático; ele vende os ingressos para mais uma sessão desse mesmo espetáculo degradante, re-explorando a vítima sob o disfarce de “biografia”.
Para você leitor do Já Viu?, o aviso não poderia ser mais claro: passe longe. Existem filmes ruins que servem como estudos de caso interessantes ou que garantem risadas involuntárias, mas I Was a Child Bride sequer oferece essa catarse. É apenas um exercício cínico, preguiçoso e vazio de oportunismo que não merece a nossa audiência.
#alertaporcaria do pior possível.
NOTA: 🎬

