Tá sobrando dinheiro em Hollywood. De novo.
Depois de fazerem um filme sobre o meteorologista da Segunda Guerra, agora fizeram um filme sobre um cara com hiper sensibilidade na audição, que é cooptado por ladrões de cofres, daqueles cofres que as pessoas tem em casa, que vira o negocinho pra direita e pra esquerda pra abrir.
Ao invés deles explodirem o cofre, agora eles usam o cara, que também é um afinador de piano que consegue ouvir as engrenagens se encaixarem enquanto ele vira o tal do negocinho do cofre.
Fim.
Obrigado, de nada.
O drama do filme é que ele é afinador ajudante, de um cara que foi foi um grande pianista e agora praticamente surdo, mas que ainda tem histórias lindas, vivendo pelo meu preferido Dustin Hoffman.
O Afinador é vivido por outro preferido meu, o inglês Leo Woodall, que vem fazendo papeis de gênio incompreendido que entra de alguma forma para o crime. Neste filme, de um forma bem besta, inclusive.
Mas ele é fofo, se apaixona por uma pianista fantástica (Havana Rose Liu), pra quem conta sua história de sofrimento e dor e que eventualmente acaba encontrando um maestro famosíssimo, um personagem importante pra história mas que se não estivesse lá também não faria tanta diferença.
A grande coisa é que esse maestro é vivido por outro preferido, o francês Jean Reno, fazendo um personagem fofo, cool, mas eu tinha certeza que uma hora ele ia virar um doido e tiraria uma metralhadora debaixo de seu casaco na sala de concerto, o que não acontece, foi uma fanfic rápida minha.
O Afinador é legalzinho, bem filmado e tudo, mas é um filme que passaria despercebido se não fosse pelo elenco estelar.
Mas o ponto positivo escondido do filme é seu diretor, o canadense Daniel Roher, que nos presenteou com um grande documentário, Navalny, de 2022, um dos meus preferidos deste século.
Aqui vemos o quanto um diretor “de documentário” pode e deve fazer filme de ficção porque quem sabe dirigir, dirige qualquer coisa.
Quando disse que tá sobrando dinheiro é exatamente porque tá faltando ideia nova em Hollywood. Os caras viram o fracasso atual dos filmes de super heróis, das continuações (que não as de horror) e agora estão desesperados por filmes com histórias inéditas.
Daí usar um afinador de piano como “abridor” de cofres.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

