Eu queria entender os porquês de eu não ter gostado de i love boosters, o novo filme do diretor queridinho da crítica dos EUA, Boots Riley.
De novo ele faz um filme onde a comédia passo dos limites do engraçado e se torna a porta de entrada para absurdos fantasiosos ou surreais ou mesmo, neste caso, de ficção científica a um passo de chegar no horror.
E isso é ruim, pergunto eu pra mim mesmo?
Claro que não. Amo.
O que é ruim é a história contada que não ressoou em mim, sobre mulheres que roubam roupas em lojas e vendem no mercado negro, com o discurso de democratização do fashion, ou poder do fashion, da moda, para o povo, ou alguma bobagem assim.
Chega um momento do filme, quando entra a tal ficção científica, que ele conta a história de uma chinesa que trabalha em uma fábrica de que produz roupa para essa marca americana na China e atravessa tempo e espaço para roubar as roupas enviadas para os EUA de volta para a China para q as outras trabalhadoras da fábrica possam usar.
Mas ela se deixa levar pelas ideias das americanas, fica por lá, vira uma fashionista da guerrilha e o filme volta para como começou.
O diretor ainda colocou a Demi Moore como a super vilã e em vários momentos do filme eu achei que ela fosse virar o monstro de Substância, porque a mulher mora/trabalha em um prédio torto, sim, tipo casa de parque de diversão que o chão é inclinado. Juro. Trapalhões.
Só que as trapalhoezices do filme que serviriam para ser o alívio cômico da crítica de Riley aqui acabam ficando sem graça e pra mim estragaram o discurso todo. E elas são comandadas pela Keke Palmer, que eu adoro, e ela está ótima.
Ou é fashionista ou é guerrilheira.
Ah, mas não pode ser os 2?
Pode, tanto que o cara colocou no filme dele mas pra mim não funciona.
Ou você fala mal da moda ou você se veste bem, com uma roupa completamente diferente da outra em cada cena, mostrando que todo o discurso político sobre o mercado fashion vai por água abaixo se as próprias ativistas seguem as regras horrorosas da não sustentabilidade.
Errou.
NOTA: 🎬🎬🎬

