Filminho maluquinho esse canadense Home Bodies.
Uma mistura de ficção científica surreal com um horror premente, aquele que faz a gente sofrer por antecipação na história dos irmãos Vermelha e Azul, uma menina e um menino, adolescentes, que vivem sozinhos em um casa totalmente fechada.
Diria até que selada.
De vez em quando eles conversam com “o Pai”, uma voz que ele ouvem por um alto falante, sempre que se senta em frente à porta de seu escritório, que eles são proibidos de abrir.
E quando tentam, a maçaneta esquenta imediatamente e queima suas mãos.
Eles vivem uma existência absolutamente espartana, as coisas de eVermelha são vermelhas, as de Azul são azuis, eles sempre comem a mesma coisa, dormem na mesma hora, brincam da mesma coisa e assistem animações de um programa chamado Barn vindas de fitas VHS, estreladas por uma vaca, um porco e uma galinha, que eles recebem diariamente através de um buraco no armário da sala, o mesmo armário onde fica a televisão de tubo antiga e ruim.
Até que um dia chega na casa um humanóide andrógino chamado Pal, um treco que não fala, sem expressão alguma e que segue os comandos dos irmãos.
Só que Pal recebe escondido fitas de VHS com imagens bem perturbadoras que ele assiste quando os irmãos dormem.
Vermelha descobre essas escapadas noturnas de Pal e por consequência as fitas bizarras, o que muda a dinâmica dos irmãos, forçando ela a um crescimento meio que imediato por causa dessas imagens e também porque ela se interessa por Pal de uma forma oposta a de Azul, que se sente cada vez mais desconfiado do humanóide, o que o faz começar a pensar em medidas extremas para fazer com que a normalidade volte à casa.
Dirigido por Casey Walker, um veterano do Fantasia Festival, Home Bodies foca sua história nos irmãos mas o que chama a atenção no filme é a casa em si, com uma direção de arte retrô de dar medo, como se a vida deles fosse um experimento cruel e que também fosse o nosso ato de assistir o filme, como se fossemos voyeurs de um experimento não muito ético.
Experiência das boas, sacadas de roteiro ótimas em um filme com 3 atores, uma voz e muito espaço em branco a ser preenchido.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

