220/2026 A ÚLTIMA CASA

Engraçado que ontem estreou na Netflix A Última Casa, o novo filme do Wagner Moura e eu fui assistir animado como se fosse um filme brasileiro.

Antes fosse.

O filme é uma ficção científica, o que é ótimo, que no início parece um episódio de Twilight Zone, a série icônica Além da Imaginação, que depois de 50 anos continua influenciando muita coisa até hoje.

Wagner é Jason, um engenheiro desempregado, o que eles deixam bem claro isso no filme inteiro, falam isso várias vezes, o que não faz nenhuma sentido a não ser por mostrar que ele diz que sua função é prover e cuidar de sua família.

Jason começa o filme pescando, sozinho, pega um peixinho e desiste quando começa chover. Volta pra casa e a gente conhece sua família, sua mulher Riley (minha preferida Greta Lee) e seus 2 filhos adolescentes, que mesmo com a chuva, falam que eles precisam sair pra comprar a árvore de Natal.

Ao tentar abrir a porta pra saírem na chuva pesada, intermitente, que fez o pai voltar pra casa, descobrem que a porta está trancada, selada. Eles acham estranho porque ela não destranca, vão testar todas as outras portas e janelas da casa e nada.

Tudo fechado.

Eles estão presos em sua própria casa.

E se desesperam.

Isso na hora me acendeu a luzinha do meu episódio preferido de Além da Imaginação, o da família que fica presa dentro de casa e uma gosma cor de rosa começa entrar por todas as frestas e portas e janelas da casa. Desesperador.

Fiquei feliz, minha percepção estava certa.

Até que…

Infelizmente a experiência cinematográfica nos dias de hoje é tão desesperadora pra mim que eu me animo com esses pequenos detalhes esperançosos mas logo vem o monstro de Hollywood e me afoga num mar que não me permite respirar e muito menos encontrar a luz que vem da superfície, usando uma imagem idiota deste filme mesmo.

Voltando ao filme, a família fica presa em casa, todas as famílias das casas em volta ficam presas em suas casas seladas, a partir daquele momento com 2 propósitos.

O primeiro: todos tentam sair de suas casas.

O segundo: todos tentam sobreviver com o que tem dentro de suas casas, já que não conseguem sair.

E assim o tempo vai passando, dias, semanas, meses e anos. Sim, anos.

A saúde mental vai deteriorando, a física também já que a comida vai acabando e eles precisam comer o que conseguirem, tipo plantando tomate a partir das semenes t=dos tomates que acabaram de comer.

Mas o que está acontecendo lá fora?

A chuva não para, parece que eles enxergam algumas pessoas ou animais passando na rua.

Um detalhe estranho começa acontecer: quando eles colocam a mão no vidro durante a chuva, a água que está do lado de fora acompanha o movimento dos dedos, ou se a mão fica parada, a água, do outro lado do vidro, desenha a mão por sua volta.

Só que isso, que poderia ser um começo de explicação ao que está acontecendo, é esquecido no roteiro.

Até que talvez, quem sabe, um monstro aparece batendo na porta da frente da casa.

A família dentro fica quieta, bem em silêncio mesmo e o monstro vai embora.

Isso tudo é meio que o primeiro terço do filme e eu te digo que daqui pra frente é mais do mesmo, uma enrolação que insiste na tecla da família, de um ajudar o outro, do pai ser o protetor, da mãe ter as ideias para comida e do pai ter as ideias práticas. E claro dos filmes, que agora já cresceram, serem os adolescentes chatos e desesperados por não saírem de dentro de casa há muito, muito tempo.

E o que tinha de legal da possível ficção científica do filme, vai literalmente por água abaixo quando algumas respostas vão sendo dadas e a chuva torrencial que começou a história e que não para há anos, finalmente chega ao seu ápice desesperador e tal monstro, que batia na porta da casa eventualmente.

E de novo, quando eu achei que a ficçnao científica fosse dar as caras e assinar o filme, a decepção veio e me fez confirmar que na verdade este filme poderia e deveria na verdade, ter sido produzido pela Disney, naquela época que a Disney fazia (ainda faz?) filmes e séries de família, com mensagem de paz, esperança, amor e principalmente sono, em filmes estúpidos, até que bem dirigidos e produzidos, mas estúpidos que enterram qualquer opção de originalidade em finais, ou no caso, com um dos finais mais ridículos do ano.

NOTA: 🎬🎬

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