Quando eu saí do cinema depois de ter visto esta ficção científica O Fim da Rua, eu me senti em 1982, saindo do Cine Comodoro, na Avenida São João, na tarde do 25 de dezembro onde todo ano eu ia ver a principal estreia de Hollywood do final de ano: ET, De Volta Para o Futuro, Goonies, Gremlins, filmes malucos para crianças. O tipo de filme que faz muita falta, que não tem hoje em dia, porque foram “substituídos” pelas animações da Disneys e Pixares da vida.
O Fim da Rua tem a premissa mais maluca do ano: durante uma tempestade, uma parte de um bairro de um subúrbio americano qualquer, no início dos anos 1980 quando as pessoas ainda faziam festinhas na rua com suas famílias, esse pedaço de bairro é transportado para a época dos dinossauros.
Literalmente, como vemos, cortaram um círculo no bairro e esse círculo cai milênios e milhões de anos atrás, cercado em seus 360 graus por florestas e tudo quanto é tipo de dinossauro faminto.
O fim da rua dá na casa Platt que precisa entender o que aconteceu, como esses dinossauros apareceram na sua porta de casa e como vão fazer para sobreviver sem luz, sem água, sem telefone e com a pouca comida que eles tem nos armários.
A mãe Denise (Anne Hathaway, em seu filme 387 lançado esse ano) toma conta da situação, pensa rápido, resolve ir pra casa de seus pais, coloca a família no carro, seu marido Greg (Ewan McGregor), um cara meio bunda mole, o oposto de Denise, e seus 2 filhos adolescentes.
Ela vai dirigindo o carro, sempre dirigindo, sempre no comando, e vai chegando aos finais das ruas, já que todas terminam em florestas, e eles vão percebendo que estão muito encrencados já que os dinossauros são uma realidade maior do que eles esperavam e os corpos dos vizinhos começam a aparecer pelas ruas.
O diretor e roteirista David Robert Mitchell criou muito bem um clima de desespero, de aventura além da ideia maluca de ficção científica e, de novo, com aquele clima “familiar”, sem gore, sem muito sangue, mas ainda com violência e raiva, além do desespero.
O roteiro é tão legal que não abre mão de decisões quase radicais mas que necessárias para o desenvolvimento bom da história de sobrevivência e principalmente da história da mãe que vai fazer de tudo para proteger sua
família.
Mesmo que ela estivesse prestes a se separar do marido, mesmo que ela estivesse escrevendo um livro escondida, sem contar para sua família, onde ela conta a historia da
mãe frustrada que larga tudo, sai do subúrbio e vai morar em Nova York.
Quase conseguiu, pena que os dinossauros apareceram. E por falar em pena, finalmente fizeram um filme com os dinossauros com penas, das galinhas gigantes que foram.
E pra fechar, sabe qual a maior qualidade de O Fim da Rua: ser um filme despretensioso. Tava cansado de filme metido a intelectualóide.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

