O cinema uruguaio tem uma vocação muito particular para o humor cotidiano e agridoce, e Um Cabo Solto (Un Cabo Suelto, 2025) é mais um belo exemplar dessa tradição. Dirigido por Daniel Hendler, o longa se equilibra com charme na corda bamba da comédia dramática, entregando uma obra que, embora modesta em sua escala, tem um coração gigantesco.
O título do filme já brinca logo de cara com a patente militar do protagonista, um “cabo” da polícia vivido pelo talentoso Sergio Prina. A partir desse “cabo solto” — tanto na hierarquia corporativa quanto na própria vida —, a narrativa nos joga em uma história que, em um primeiro momento, pode soar fantasiosa ou absurda demais para os cínicos de plantão.
No entanto, é exatamente nessa “ingenuidade cinematográfica” que o filme encontra a sua força e faz sentido. Hendler não tenta disfarçar os absurdos do roteiro; ele os abraça. Isso funciona perfeitamente graças à construção sólida e humana de seus personagens. Sergio Prina e a sempre excelente Pilar Gamboa formam o núcleo emocional que ancora a trama. Eles entregam atuações que dão peso e ternura às situações mais estapafúrdias, nos convencendo a embarcar na brincadeira sem questionar a história do cabo que passa o filme fugindo de policiais corruptos e se encontra produzindo queijo.
Falei que era ingênuo (no bom sentido)?
Um Cabo Solto é o tipo de filme que te conquista justamente por não ter vergonha de ser lúdico. Uma ótima pedida, leve e despretensiosa, para quem quer escapar do nervosismo do mundo lá fora.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

