O romeno Radu Jude é um dos diretores vivos que eu mais espero ansioso pra assistir seus filmes.
Este The Diary of a Chambermaid é seu primeiro filme não em romeno, não filmado na Romêmia. O filme é francês, baseado em um livro francês que já “pariu” 2 versões anteriores.
Mas Jude, o geniozinho que é, transportou a história para nossos dias e usou problemas totalmente pertinentes à nossa realidade que o grande ponto deste filme é o mesmo ponto de um dos melhores curtas brasileiros que assisti este ano, Pão Doce, um filme produzido em Guarulhos e que saiu do Festival de Gramado semanas atrás com 2 prêmios importantíssimos e o mais relevante para mim foi o prêmio de melhor ator para meu grande novo queridíssimo amigo Francisco Gaspar que faz o papel de um padeiro que é forçado pelo dono da padaria a trabalhar quando não deveria, em seu dia de folga e pior ainda, não conseguir sair do trabalho na hora que prometeu para sua filha, que o aguarda em uma salinha insalubre dos fundos da padaria.
Aqui, neste filme franco-romeno, Jude conta a história de Gianina (vivida pela ótima Ana Dumitrașcu), uma mulher romena que vive na francesa e lá trabalha como empregada doméstica de uma família “super bacana”, onde o pai sempre elogia sua comida e fica procurando o “toque romeno” em tudo que ela faz, onde a mãe vive dizendo que não sabe o que seria deles sem ela e onde o filho de uns 10 anos de idade, demanda a atenção de Gianina o tempo todo.
Família de comercial de margarina, todo mundo muito sorridente e fofo e gente boa até que um berra, o outro coloca a “empregada” em seu lugar quando quer e quando a realidade bate.
Mas aí tem o outro lado da história que é o que Gianinna deixou para trás: sua filha, da mesma idade do menino francês que ela cuida, com quem ela fala todos os dias em ligações de vídeo, claro. A menina sofre muito mesmo vivendo com a avó, com sua rotina de escola, brincar, ajudar a avó e tudo mais. Ela quer mesmo a mãe por perto e não só pelo vídeo.
Apesar de ser também muito difícil para Gianina, ela já planejou ir passar Natal e Ano Novo com a filha em casa e nós acompanhamos os dias passando como se lêssemos um diário onde a mulher marcaria “faltam tantos dias para eu ver minha filha”.
Jude constróis seu drama quase como uma comédia de erros, quase como uma sátira, de tão leve que seu filme é. Ou assim ele quer que seu público perceba o filme, porque qundo Jude quer, diretor do talento enorme que é, ele enfia com força e profundamente o dedo nas feridas de seus personagens e por consequência em quem assiste o filme.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

