Lucio Castro é um diretor argentino que tem pelo menos um filme incrível, Fim de Século, de 2019.
Castro faz filmes gays com roteiros com cara de intrincados, complexos, mas que no fundo são dramas quase reais, bem possíveis, com histórias que qualquer pessoa consegue entender e se relacionar de alguma forma.
Drunken Noodles é seu novo filme, mais um draminha despretensioso, no melhor dos sentidoss, e que se mostra mais um filme profundo em suas sutilezas.
Dizem que é mais difícil fazer o simples do que o espalhafatoso, e Castro vem chegando aos poucos à perfeição.
Drunken Noodles não é tão impactante quanto Fim de Século, mas tem momentos geniais em sua “pequenez”.
Aqui, um cara descobre em uma viagem as obras em tecido de um artista também gay, que mora longe da cidade e que borda imagens não óbvias em quase panos de prato, mas que, segundo o “descobridor”, devem ser enquadradas e expostas em uma galeria.
Esse homem, que vive em Nova York, costuma em suas noites frequentar um parque perto de sua casa onde acontecem encontros sexuais gays e lá ele conhece um entregador de comida por quem, depois do primeiro encontro, se aproxima.
No mato ele descobre o artista que vai ajudar seu trabalho e também o possível, talvez, amor.
E a história do filme é sobre como esse encontro furtivo acabou se tornando responsável pela história principal do filme, que não é a esperada.
Lucio Castro tem em mãos um roteiro que brinca com temporalidade, com relevância e em sua direção ele em momentos parte para experimentações interessantes de como uma história pode ser contada com muita particularidade que em primeira vista quase assusta mas que logo faz todo o sentido não só para a histórias mas para levar seu espectador por caminhos expressivos e surpreendentes, que fazem de Drunken Noodles uma surpresa das mais legais.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

