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261/2026 DEATH HAS NO MASTER

Há semanas eu vinha esperando chegar este thriller psicológico malucão que estreou em Canness e fez um bom barulho por lá.

E não é que no dia que eu posto a resenha de Tony, ontem, chega o link e eu assisto este que é o mais recente filme da diva controversa Asia Argento, ex companheira de Anthony Bourdain, o Tony do filme de ontem, com quem ele estava junto logo antes de partir desta para melhor.

Emocionado com a coincidência, fui ver o filme esperando uma coisa a partir do que eu já tinha lido a respeito e tive uma das grandes surpresas do ano.

Death Has No Master, A Morte Não Tem Dono, é uma porrada na cara desde o início.

A gente vê Caro (Asia Argento), magra, meio punk, zuada, sendo parada em uma estrada em seu táxi, por policiais que falam espanhol com ela enquanto revistam sua mala a procura de não sabemos o que, mas pela cara dela dá pra entender.

Em paralelo vemos algum ritual ou alguma carnificina que Caro participa com uma vestido brano lindo que no momento está ensanguentado.

Se o diretor Jorge Thielen Armand quis nos preparar desde o comecinho do filme para o que vinha, parabéns, conseguiu e já me deixou tenso.

Eu sempre acho que quando um diretor chama Asia Argento para trabalhar em seu filme, de uma forma está muito homenageando seu pai, um dos maiores de todos Dario Argento. Aqui não é diferente.

Death Has No Master, como eu disse ali acima, é um thriller psicológico. E dos melhores que vi recentemente.

O filme tem os 2 pés no punk, onde essa personagem, bem com cara de quem chegou de 3 dias virada em alguma balada pesada, chega em uma fazenda no meio da floresta da Venezuela onde nasceu, e para onde não ia há décadas. E que para lá voltou para tomar posse da plantação de cacau depois da morte de seu pai.

Ela não gosta de ver pessoas morando na sua casa, como Sonia (Dogreika Tovar) e seu filho adolescente folgado, ou o cara que tá lá e ninguém sabe direito quem é e que não paga aluguel pra Sonia.

Eu achei que Caro fosse aos poucos melhorando sua aparência e atitude depois de chegar à fazenda mas não, tolinho, o filme (e Caro) vai entrando em uma espiral de desespero e caos, já que ao lado da nova dona só tem o advogado amigo do pai que cuidou da papelada e o antigo capataz da fazenda que está lá para ajudá-la.

Só que ninguém está na mira de necessidade de Caro, que enquanto tenta resolver tudo sozinha, e não consegue obviamente, pequeno spoiler alert, ela vai entrando em uma segunda espiral de desespero quando vai lembrando cenas que viveu na fazenda quando era criança, antes de ir embora com a mãe.

O diretor Thielen Armand tem vários acertos neste filme, sua direção, a fotografia do filme, a direção de elenco, mas o grande acerto é a trilha sonora, que quase que funciona como uma personagem do filme já que vai nos levando por um caminho desesperador que beira o horror de uma vida quase irreal, que é o que Caro está experienciando em sua antiga fazenda.

O mais legal de quando assisti o filme a noite passada foi achar, tolinho que sou, que as cenas do início do filme fossem o auge do caos e da violência. Sorte a nossa que não.

Quando o diretor Jorge Thielen Armand conta sua história em uma casa caindo aos pedaços de uma fazenda que não parece comportar o seu passado, em uma floresta no meio do nada, em uma cidadezinha tão pequena e inútil, ele sabe que vai ter sua plateia na palma de sua mnao, já que o universo que ele criou para contar sua história é tão próprio que poderia ser numa caverna de Marte de tão inesperado o que e onde tudo acontece.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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