262/2026 AONTAS

Já faz umas semanas que eu assisti esse Aontas, o filme que a Irlanda escolheu para representá-la no Oscar de Melhor Filme Internacional.

Quando terminei de assistir eu fiquei tão, mas tão impressionado com o filme que ele já entrou para o top 5 do ano. E eu demorei tanto para resenhar porque queria saber se o amor todo duraria com o passar do tempo.

Não só durou como confirmou que sim, este é um dos grandes filmes do ano. E pelo andar da carruagem, ninguém está falando dele. Torço muito pra que o filme apareça pelo menos nessa disputa do Oscar porque vai ser uma pena se um thriller desse passar despercebido.

Venho falando de uma leva nova de filmes super indies e super pequenos vindos da Grã Bretanha como Rose of Nevada, Bait e On The Sea. Aontas entra um pouco nessa categoria de indie pequeno e surpreendente.

E surpreende mais ainda pelo roteiro, contando em cronologia reversa (quase) a história de um roubo a banco, que a gente vai descobrindo com o passar do filme quem roubou, porque roubou, como roubou, quem mais estava envolvido, quem é vilão, quem é herói, quem é bandido e a pergunta que não quer calar: como o diretor Damian McCann conseguiu fazer um suspense de roubo a banco tão perfeito com um orçamento mínimo (no budget) mas com um apoio importante do esquema Gealán, voltado para dar oportunidades a criadores de histórias em língua irlandesa (gaélico). E para mim pocuas coisas são mais legais do que filmes em línguas ancestrais, originárias.

O filme se passa numa cidadezinha bem pequena mesmo onde o dinheiro dos aposentados sumiu do banco.

Já ouviu essa história em algum lugar? Pois é.

Em Aontas a história é descobrir porque esse dinheiro sumiu e o que fazer para que os aposentados voltem a receber normalmente.

Por um roteiro muito bem escrito, com uma criação de enredo bem costurado, onde várias pequenas historinhas vão se misturando e o mais legal, enquanto uma meio que se resolve, outra começa e precisa ser entendida a partir das informações que tínhamos e por essas mesmas informações vamos entrando em caminhos totalmente novos e inesperados.

Em uma cidadezinha tão pequena, onde todo mundo se conhece, alguém ter dado um golpe no banco desviando o dinheiro dos aposentados seria um golpe bem estúpido, já que ele seria descoberto em tão pouco tempo. E a estupidez aqui só acontece porque o cabeça do golpe é um pseudo milionário espertão, mentiroso e ligado, obviamente, a esquemas criminosos maiores que esse desvio de dinheiro.

De novo, já ouvimos essa história, certo?

A grandiosa surpresa de Aontas é levar uma história de “cidade grande” para um vilarejozinho, onde um golpe que como aqui no Brasil seria de uns 7 bilhões de reais, lá é suficiente para que pessoas “normais” tomem decisões extremas para salvarem os seus.

Aontas parece ser um filme experimental, não só pelo roteiro reverso mas principalmente pela direção ousada, pela fotografia nada usual, pela trilha importante que ajuda e muito na história mas principalmente pela tensão extrema que o filme tem do início ao final e pelas surpresas que são várias e só melhoram com o passar do filme.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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