Que filme maravilhosamente doido.
O indonésio Ghost In The Cell, venceu o prêmio de Melhor filme de Horror No Fantastic Fest e se jurado fosse, eu daria um prêmio adjacente de filme mais estúpido do ano. No bom sentido.
Eu ainda vou estudar a fundo o poder do humor oriental em filmes que a gente espera tudo menos dar risada.
Ghost In The Cell é um filme de horror bem doente, ao mesmo tempo que é de uma estupidez quase nível Trapalhões, o que leva o filme a um nível não esperado.
O fantasma na cela é realmente um fantasma desgraçado, ou um espírito FDP, que acompanha um jornalista que foi a uma floresta fazer uma matéria sobre economia e descobriu segredos sobrenaturais.
Ao voltar para seu trabalho, depois de levar uma bronca desumana de seu chefe bem desumano, ele não percebe que o espírito/fantasma se alimenta de ódio que as pessoas “exalam”. E quando digo se alimenta, ele meio que se alimenta mesmo porque no caso do editor chefe raivoso, ele foi encontrado destroçado e rearranjado no ventilador de sua sala, como se fosse uma obra de arte feita por um… fantasma desgraçado.
Só que a culpa cai no jornalista, a última pessoa com quem o editor teve contato, que acaba preso e prestes a ser, de novo, devorado em uma cadeia notória de segurança máxima.
Mal sabiam os malvados presos que junto com o franzino, a pior força matadora possível estaria só esperando ódio para se deliciar. E quando a carnificina começa, não para mais. Ou assim achávamos. Só que um dos presos, da gang onde o franzino entra e que o protege, esse detento tem o poder de ver a aura das pessoas e enxerga quando o ódio toma conta de alguém e ele começa a emanar muito vermelho. Quando isso acontece, ele enxerga uma outra luz se aproximando da pessoa que logo a dilacera e transforma as partes de seu corpo em outra obra de arte, que poderia ser uma oferenda ou mesmo uma imagem que caberia em um altar.
Sim, nós já vimos esse tipo de transformação de corpo destroçado nesses tipos de oferendas, só que feitas por um serial killer, lembra de Postais Mortíferos ou de Gaiola Mental?
Aqui essas mortes afetam todo mundo da cadeia, inclusive os policias corruptos da diretoria. Só que o que mais impressiona é como o diretor Joko Anwar conseguiu costurar um horror tão radical e drástico e sanguinolento e lindamente nojento, com sequências tão engraçadas, de um bom humor que não pertenceria a esse filme.
Além disso, o filme é muito bem fotografado em uns cenários incríveis, com uma direção de arte perfeita, que utiliza muito as cores amarelas dos uniformes dos presidiários muito a favor da história e dos contrastes que vai criando em cada cena, com a ajuda inesperada de coreografias necessárias para todas as cenas onde todos os presos estão juntos. Toques de mestre.
Pela ousadia dupla, de extrapolar o horror e contrapor sua história com o senso de humor Didi Mocó, aqui fica minha admiração total a Ghost In a Cell.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

