309/2026 PREDATORS

Ontem eu falei e elogiei um monte o filme Primetime, o thriller psicológico sobre o reality show americano do início dos anos 2000 To Catch a Predator, criado e apresentado pelo jornalista Chris Hansen.

O programa foi vendido como sendo jornalismo investigativo na verdade era um reality show de humor macabro, onde uma arapulca era montada pela equipe de Hanson para atrair e com o apoio da polícia local, prender pedófilos abusadores de crianças, que chegavam às casas dessas supostas vítimas que erram na verdade vividas por atores e atrizes adultos.

Este documentário mostra em close o horror que foi o programa, que teve 20 episódios e que foi cancelado depois que um dos pedófilos, que não foi encontrar a criança, teve sua casa invadida pela polícia e se suicidou em frente as câmeras.

Todo esse horror aqui visto é muito mais “explícito” do que o filme da A24, estrelado pelo Robert Pattinson, conta a história.

Ninguém se salva, nem o criador Chris Hansen, que queria a fama jornalística de qualquer forma, porque vemos o quanto ele sentia inveja de seus pares que cobriam guerras e política, por exemplo.

A polícia que ajudava a produção em cada episódio não o fazia pelo bem comum mas também para aparecerem na televisão, para que os delegados e xerifes pudessem lucrar com essa fama efêmera.

Mas a grande questão deste documentário feita por seu diretor David Osit é : por que a pedofilia vende tanto?

Vivemos (infelizmente ainda) na época do “true crime”, dos crimes reais usados ao infinito em séries, podcasts, documentários e a conclusão que chegou o diretor é que esses programas fazem muito sucesso porque o público gosta de odiar os vilões e esses casos são muito extremos, onde os vilões são óbvios.

Mas será que é só isso?

Predators nos leva a uma viagem bem profunda sobre o mal, o voyeur, o nosso “lado” de espectador e principalmente o lado da indústria cultural que continua produzindo esse tipo de conteúdo.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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