310/2026 COLISÃO IMPLACÁVEL

Antes de assistir este thriller espanhol Colisão Implacável, disponível na Netflix, eu já tinha gostado da ideia do filme, um assalto a banco com roteiro inspirado no que virou “efeito Rashomon”.

Pra te lembrar, Rashomon é o filme de Akira Kurosawa de 1951 onde uma história é contada a partir de vários pontos de vista de diferentes observadores.

Colisão Implacável começa com o assalto a um banco em Madri, em meio a crise econômica de 2013, onde 3 assaltantes encapuçados invadem uma agência antes dela ser aberta, bem cedinho, para roubarem um cofre que estaria cheio de diamantes.

Só que não estava.

Eles fogem com o que conseguem pegar, que eles chamam de dinheiro trocado, e na fuga sofrem um acidente de carro e um deles morre.

E aí começa a brincadeira.

O filme continua com a história a partir da morte deste personagem.

Até um momento chave onde a história volta ao momento do acidente e o roteiro conta a história a partir de outro personagem, e assim por diante até que a mesma história seja contada a partir de toda a gangue de assaltantes.

Ideia bem boa.

Só que… O problema é quando tem um “só que”, né?

Esse “truque” de roteiro geralmente serve para que o espectador tenha novas informações da história geral, fazendo com que o nosso conhecimento seja o mais amplo possível para que tiremos a melhor conclusão sobre a história.

Aqui o roteiro se desdiz. As histórias não se complementam, não se encaixam como deveriam. Informações desencontradas acontecem, histórias paralelas em um “capítulo” não funcionam com as informações do próximo e assim a gente vai perdendo um pouco de interesse, já que percebemos que o filme tem vida própria além do roteiro e que provavelmente essas mudanças de direção e caminho sejam por problemas de produção, já que provavelmente esses percalços tenham acontecido durante a produção.

Agora, se o problema é do roteiro original o problema é maior ainda com a equipe toda do filme, porque não é possível que ninguém tenha percebido esses probleminhas do filme ainda no papel e não tenha apontado pelo menos um deles.

O que deveria ter sido o final do filme é meio vergonhoso até, onde eles tentam criar, ou melhor, tentam jogar na cara do espectador um “gênio do crime” do nada, numa opção criativa tão sem graça que deu até raiva.

Quiseram reinventar a roda e faltou competência pra isso.

Colisão Implacável é a nova prova de que mesmo tendo um número gigantesco de pessoas que leem roteiros antes deles serem aprovados, produzidos e lançados, não tem uma alma que perceba uma quantidade de erros e problemas óbvios, como os deste filme, um thriller que tinha tudo pra ser muito, muito bom mesmo.

NOTA: 🎬🎬🎬

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