Eu esperava que fosse maravilhoso.
Mas nem é tanto.

É uma boa peça de teatro, que no teatro deve ser melhor que boa, mas a adaptação ficou muito em cima das sequências teatrais e isso me incomoda.
MAs o filme tem algumas coisas ótimas.
A primeira delas: a fotografia é lindíssima e o diretor de fotografia é meu amigo Adriano Goldman, brasileiro que tá arrasando faz tempo no cinema.
Uma vez fiz um comercial de Kit Kat e o Adriano foi o DP. Numa primeira eunião, discutimos a cor do filme, que era num jardim, verão, eu queria uma coisa alaranjada, mas com muito flair, luz entrando pela lente da câmera, luz estourada e nós achamos uns filmes do Januz Kaminski. Hoje, se fosse fazer de novo o comercial do Kit Kat, usaria de novo o Adriano como fotógrafo só que dessa vez a referência seria o calor desse “Álbum de Família”.
Sam Shepard é o casado com Meryl Streep que tem câncer na boca em estado avançado.
Ele é encontrado morto, por aparente suicídio, o que faz com que suas filhas que moram longe, voltem pra casa para o funeral.
E assim começa o drama dessa história.
Meryl é uma mulher amarga, já sem cabelos, que sofre com a doença e usa isso como desculpa pelo seu vício em drogas, em bolas, em remédios, o que faz com que ela sempre perca as estribeiras.
Julia Roberts, sua filha mais velha, que fala mais “fuck” que um personagem de um filme do Scorcese (e diz a própria Julia que ela não fala palavrão na vida real, o que foi um esforço pra ela), é casada com Ewan McGregor e com ele tem uma filha de 14 anos que claro não gosta dos pais, fuma escondido inclusive maconha.
Sua outra filha é Juliette Lewis, perdida, com 30 e tantos anos, mais um namorado playboy que prometeu casar com ela e no fim dá em cima da adolescente.
E Meryl ainda tem outra filha, que vive com ela no meio do nada, sofrida, cagada e que namora o primo escondida, filha de sua irmã que também tem segredos que vêm à tona na hora certa. Ou errada.
Em 3 dias juntos, essa família faz mais estrago do quem uma vida toda longe uns dos outros.
Claro que Meryl como um doidona de bola dá um show e é bem provável que ganhe um monte de prêmios esse ano. Mas Julia surpreende. Tá madura, cheia de rugas, fodona, xingando e dá uma surra em Meryl pra ficar pra história.
Mas faltou um diretor bom ao filme.
Faltou decupagem, faltou ter cara de cinema.
E o povo faa que é comédia dramática. Gente, é drama, não tem nada de comédia.
A sequência do jantar dura uma eternidade.
Aliás as sequências em torno da mesa e de refeições duram eternidades.
Mas eu sou chato, né? Será?
