Vamos falar de atriz boa: Charlotte Rampling.
Na minha opinião ela é a grande atriz do cinema hoje em dia.
Faz tudo quanto é tipo de filme e sempre faz bem.
Vem filmando com todos os grandes diretores há mais de 4 décadas sem parar.
Inglês, francês, alemão, português, ela fala tudo e bem falado.
É linda, é boa, tem o olhar mais triste do cinema e um dos mais poderosos.
E há tempos merece um grande reconhecimento, um grande prêmio e o povo fica falando só da Judi Dench.
(Nada contra Dame Judi, mas por favor, né)
É a mesma coisa no Brasil: temos a Nathália Timberg, Deusa acima de tudo e o povo só fala de Fernanda Montenegro.
De novo, nada contra Fernando, mas vamos dar o devido valor à Nathalia.
“45 Anos”, o mais recente filme que Charlotte estrela poderia ser mais um filminho inglês com pinta de francês e mais nada.
Só que a atuação dessa mulher, da primeira à última cena, é um absurdo.
E já vou falando: ele tem o melhor ator ao seu lado, o também inglês Tom Courtenay que dá outro show de verdade nesse filmeco (e não por nada os 2 ganharam prêmio de melhor atores no Festival de Berlim ano passado).
Filmeco que ele conta a história de um casal na semana que vai completar 45 anos de matrimônio.
Em meio aos preparativos da festa, ele recebe uma carta do governo alemão dizendo que achou o corpo congelado de sua “esposa” morta 50 anos atrás por cair numa fenda numa montanha.
E a calmaria e a rotina e a lucidez dos 45 anos de convivência vai abaixo.
A personagem de Charlotte entra numa paranóia indescritível.
Claro que a sutileza e a delicadeza dela não deixa transparecer num primeiro momento nem pra nós espectadores e muito menos para seu marido.
Mas aos poucos a “nóia” vai corroendo essa tranquilidade toda até o ápice que é a melhor sequência do filme, a sequência de encerramento, já na festa.
Sem proferir uma única palavra, Charlote mostra o quanto os seus 50 anos de carreira renderam.
(Aliás, melhor sequência final de filme do ano junto com a sequência do alemão “Phoenix”, mas dele eu falo em outro post logo)
Amo a Cate Blanchett em “Carol”, amo a Alicia Vikander em “A Garota Dinamarquesa”, amo todo mundo mas galera, Charlotte Forever (aliás, título de meu filme preferido do Gainsbourg).

