Juro que eu queria não gostar de Manchester À Beira-Mar por causa do Affleck (tenho bode da família toda), mas o filme é bem bom.
Casey é um cara estranho e esquentadinho, o faz tudo de um prédio, nosso zelador, que um diz recebe um telefonema e volta correndo para sua cidade numa emergência.
Chegando lá descobre que seu irmão mais velho morreu do coração e a partir de agora ele precisa cuidar de seu sobrinho de 16 anos.
Só que voltar à sua cidade vai trazer de volta os bons e velhos fantasmas do passado, fantasmas que ele não está disposto a encarar, e por causa deles e de ter que cuidar de um adolescente e principalmente por ser um cara fechado e calado e nervoso e pavio curto que ele vai viver dias estranhos com problemas que ele não esperava enfrentar.
Manchester é um puta filme triste, mas ao mesmo tempo eu senti sempre uma esperança nos piores e mais punks momentos do filme. Eu disse outro dia que Loving era o filme mais triste do ano e continuo achando isso, com Manchester num segundo lugar honroso.
Não se deixe enganar com indicações e fotos da Michelle Williams: o filme é do Casey e do Lucas Hedges, o sobrinho adolescente.
O diretor e roteirista Kenneth Lonergan fez um trabalho excelente. Direção precisa, cuidadosa, que mostra o fundo do poço mas que ao mesmo tempo dá uma ideia do que pode ser continuar vivendo apesar de tudo.
Manchester é um filme de silêncios, de diálogos bem pensados, ou melhor, de tempos e silêncios precisos no diálogos o que mostra o trabalho de um diretor cuidadoso, que sabe o que faz e sabe o que quer. A trilha do filme é quase inexistente o que faz com que esses silêncios sejam ainda mais corrosivos, outro ponto positivo.
O filme é uma produção independente com Matt Damon à frente e que em algum momento achou que o Casey Affleck seria melhor que ele no papel principal e por isso continuou só como produtor. Foi uma das sensações do festival de Sundance de 2016 e lá comprado pela Amazon por 10 milhões de dólares. Com o lançamento muito bem feito virou um dos queridos das premiações grandes sendo que Casey inclusive ganhou o Globo de Ouro de melhor ator (e a piada é que agradeceu em seu discurso todo mundo menos seu irmão) e com algumas indicações ao Oscar, mas que não deve levar nada.
No fim das contas, o filme apesar de toda a tristeza, me deixou com uma sensação de superação, quase quem um filme pra cima.
Veja, chore e reflita.

