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222/2019 A LUZ NO FIM DO MUNDO

Casey Affleck, pra quem não lembra, é o irmão estúpido e misógino do Ben Affleck, também estúpido e misógino que eu amo odiar (mal de família é foda).

Diferente do irmão mais famoso, Casey ainda faz filmes bons, alguns be, bons, como Manchester À Beira Mar, pelo qual ganhou o Oscar que ninguém comemorou porque foi bem à época das acusações de assédio contra o ator.

Logo depois ele fez um filme legal demais, A Ghost Story, onde ele é um fantasma, o filme mais existencialista dos últimos 3 anos, lembra?

Já sabe de quem tô falando, né?

Light Of My Life é a estreia na direção do ator, que também escreveu o roteiro desta distopia. que é um pedaço de uma história toda, sem muito passado e sem nenhum futuro. Uma fatia.

Ele é o pai de uma pré adolescente com quem está acampando quando o filme começa.

Eles a noite prestes à dormir conversam e ele conta histórias para a filha pegar no sono, só que como todo bom pai, vai inventando uma história de um raposo e sua filha raposa, ao que ela fala que não quer histórias sobre ela mas sim histórias que ela não conheça.

Ele então diz que a história é sobre o pai raposo mas à medida que assistimos o filme vemos que ela estava certa, a história é sobre a filha raposinha.

Quando disse distopia foi porque o filme se passa num futuro próximo onde todas as mulheres da Terra morrem de alguma pandemia misteriosa.

Menos a sua filha.

E num mundo onde não existem mulheres, uma adolescente seria uma bênção mas na verdade acaba sendo o maior perigo de todos.

Por isso ele está acampando no meio da floresta com ela, na verdade fugindo do mundo, escondendo a filha de todo mundo.

E assim ele vai passando o filme, tentando fazer quem ele encontra pelo caminho acreditar que ela na verdade seria ele, seu filho adolescente, o que vai ficando cada vez mais difícil.

Light Of My Life talvez seja o filme perfeito para eu postar no dia dos pais, porque Casey mostra o quanto um pai sacrifica para proteger sua cria, como o pai raposa da história mas também como na história, o que interessa é a filha e não o pai.

O filme é de uma beleza ímpar, tem um ritmo lento, bem próprio, parece irmão do filme de fantasma que eu citei lá em cima, plácido.

Mas o que o fantasma ajudava no tempo parado do filme para que a casa onde ele vivia não fosse demolida e ele desaparecesse, pai e filha precisam se virar de todas as formas num roteiro que confunde o tempo de um filme de arte com a falta de ação de um filme arrastado.

E de repente algo acontece que tenta compensar a falta de ritmo com um monte de briga de mão (briga de vilão, como diria meu avô), o que neste filme é exatamente o que acontece.

Só uma mais que merecida levantada de bola para a atriz que faz a menina, Anna Pniowsky, que rouba o filme.

Para uma estreia na direção, Casey se deu muito bem, bateu na trave mas ganhou o jogo. Que venham os próximos.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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