Belo documentário sobre um dos maiores coreógrafos ainda em atividade, o israelense Ohad Naharin.
Eu não entendo nada de dança e fico muito impressionado quando assisto espetáculos onde os limite dos corpos dos bailarinos são postos à prova, o que na grande maioria das vezes.
Sempre que isso acontece eu fico pensando o quanto os bailarinos sofreram nas repetições infinitas dos ensaios.
Mas nunca tinha pensado no que eu vi Gaga, O Amor Pela Dança, em cartaz na Netflix, na força e no poder de um coreógrafo desse nível e do quanto o cara é cruel.
Fiquei bem chocado mesmo.
Primeiro ao saber o quanto ele sempre se considerou superior a tudo e a todos, sempre ficando muito pouco tempo nas companhias que o chamava para fazer parte, das mais importantes do mundo.
Ele entrava, ficava 1 mês e saía.
Naharin sempre dizia que via de cara que aquilo não ia lhe fazer bem nenhum e não perdia seu tempo. E seus colegas confirmam o que ele dizia, mas sempre em testemunhos meio com sorrisinhos sem graça, o que é bem peculiar.
Daí o que me impressionou muito também é a forma dele criar e ensaiar as coreografias com os bailarinos da sua companhia, fazendo com que sim, eles repetissem à exaustão, mas em também em momentos que um bailarino não entende o que ele está pedindo e ao indagá-lo sobre como ele quer que ele faça, ele responde ” adivinhe, tente ler minha mente”.
E parece que ele falava sério.
Por essas e outras que cada vez mais eu tenho certeza que é muito prudente da minha parte não querer conhecer a fundo a vida de meus “heróis”, dos escritores e músicos e cineastas e artistas e tudo mais que eu amo, porque geralmente eu me decepciono.
Melhor seria eu não ter sabido que o Ian Curtis era um misógino filhodaputa, só pra dar um exemplo bem óbvio.
Mas o documentário Gaga é de uma beleza ímpar, uma aula de como um filme desses deve ser feito.

