Sabe aquele encontro de Natal familiar onde sempre alguém fica bêbado, onde o tio do pavê dá as caras, onde as tias velhas perguntam “tá namorando?”, onde todo mundo faz muita comida e apesar de todo mundo comer muito, sempre sobra muito?
Então, a Krisha do título desse filme é a tia bêbada e maluca que sumiu e ressurge depois de muitos anos numa comemoração dessas e, adivinha, detona com tudo.
Depois de anos sumida e distante da família, depois de ter deixado seu filho ( o próprio diretor, diga-se de passagem) aos cuidados da sua irmã e, hoje em dia, ele já tem lá pelos seus 20 e poucos anos de idade e já está na faculdade, Krisha volta como se nada tivesse acontecido, ou quase todo mundo se comporta e a trata como se nada tivesse acontecido.
A Krisha no filme é a própria tia do diretor, o super talentoso Trey Edwards Shults, o cara que escreveu, dirigiu e editou esse filme de uma forma tão pessoal e tão peculiar que a gente quase sente que é um filme sobre nossa família, mesmo sem ter uma tia tão locona quanto a Krisha.
O filme é de 2015 e foi tão forte e tão bem recebido que em menos de 2 anos Shults foi chamado pelo grande ator australiano Joel Edgerton para dirigir Ao Cair da Noite, um dos melhores pós-terror da temporada.
Veja Krisha, tá na Netflix, o filme quase caseiro que lançou uma carreira que parece ser longa de um diretor bem promissor.

