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278/365 O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS

Olha só: e não é que a Sofia Coppola fez um belo de um filme afinal?

Não, eu não simpatizo nada com a fofa.

Acho ela uma diretora meia boca, seus filmes para mim sempre possuem o ranço do coitadismo, que me irrita muito.

De tudo o que ela fez, gostei muito de Maria Antonieta e de Encontros e Desencontros quando os vi, mas a simpatia vai desaparecendo a medida que o tempo vai passando.

O Estranho Que Nós Amamos é a refilmagem de um filme com Clint Eastwood de Don Siegel, de 1965.

O filme original era um pouco mais misógino e violento e politicamente incorreto. Seria difícil ou até perigoso que algumas coisas do original fossem feitas hoje em dia.

Mas Sofia fez bem no que fez.

O roteiro é dela também e é muito, mas muito bom.

A história se passa na Guerra Civil americana quando um soldado do Norte (vivido por Colin Farrell) é encontrado muito ferido por uma menina nas terras do Sul.

Ela o leva para a escola onde mora com mais 6 mulheres e é onde a parada toda acontece.

Nicole Kidman faz a dona da escola, firme, forte, corajosa e sábia que resolve ajudar o soldado por causa da gravidade de seus ferimentos, mas faz isso porque acaba concordando com uma de suas funcionárias, o alter ego de Sofia, Kirsten Dunst, que elas precisam ajudá-lo antes de entregá-lo ao exército que o prenderia e provavelmente o executaria.

Um homem em busca de cuidados em tempos de guerra, dentro de uma casa enorme só com mulheres, a coisa vai pegar.

E à medida que o homem vai melhorando, as mulheres vão cada vez mais se interessando por ele.

A cena que Nicole dá um banho no soldado desacordado e aos poucos vai desnudando sua pele com as mãos é linda de poética e um tesão ao mesmo tempo.

O filme vai mostrando o quanto um homem transforma a vida dessas mulheres e o que em princípio era mantido como um voto de amizade/confiança para a sobrevivência em tempos desesperados, vai perdendo o sentido quando todas querem a mesma coisa e se vêem obrigadas a disputarem umas com as outras.

Claro que a voz da razão acaba “vencendo” ou se fazendo ouvir e as coisas se resolvem da melhor pior maneira possível.

E Sofia conta essa história de irmandade, cooperação, separação e reatamento da forma mais bela e insinuante que ela já contou qualquer outra história.

A fotografia e a trilha do filme são tão presentes e importantes para a história que o mérito da diretora fica maior ainda por ter feito tais escolhas.

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