Sinto que meus dedos vão cair por eu estar escrevendo tal absurdo, mas a melhor coisa de Meyerowitz: Família Não Se Escolhe é Adam Sandler.
E absurdo maior: eu aposto dinheiro que ele vai receber indicações para prêmios como melhor ator por esse filme.
E isso não é pouco.
O filme é bem bom. E dizer que Sandler é a melhor coisa é dizer que ele está muito bem mesmo.
O filme é dirigido por um dos diretores americanos que eu menos gosto, o Noah Baumbach, o maior imitador de Woody Allen de todos. Só que ele tentava ser sutil em seus filminhos.
Agora ele assumiu que é sim imitador e seguidor e adorador e fez um filme sobre uma família judia (1) em Nova Iorque (2) com o patriarca ancião (3) casado 4 vezes (4) com filhos neuróticos (5) e uma neta pornógrafa (6).
São 6 pontos básicos da obra de Allen de cara no filme de Baumbach.
Mas o legal é que isso tudo dá certo.
O roteiro é ótimo e quase poderia ter sido escrito por Allen.
Mas o elenco e a direção de ator é o que se destaca.
Além de Sandler dar show como o filho mais velho neurótico, gritão, manco e pai da neta pornógrafa, o filme tem Dustin Hoffman como o escultor quase super famoso e pai de todos, Emma Thompson como sua quarta esposa e Ben Stiller como o filho distante, todos muito bem também.
Baumbach faz o que pode pra não ser tão reverente descarado ao diretor que tanto ama mas, apesar de usar o zoom a torto e a direito, faz uns cortes drásticos que dão um ar de inovação o diferenciando um pouco de Allen.
Fora isso, a trilha é igualzinha, a luz é bem parecida e a direção é tão boa quanto.
No final das contas, o filme é ótimo por causa disso tudo mesmo.
É um raro caso de um diretor que presta tanta homenagem e copia que acaba funcionando.
E só de ter colocado um ator como Sandler nesse papel, parabéns pra sempre!
Que ele entre nessa fase e fique por um tempo.
