Olha, que filminho normalzinho e nada demais esse Lady Bird.
Tô até agora tentando entender o hype, as indicações a prêmios, o score máximo do Rotten Tomatoes.
A produtora A24, uma das minhas preferidas americanas hoje em dia, deve ter gasto milhões em marketing pra isso tudo.
E outra: a não indicação da Greta Grwig, roteirista e diretora do filme, para os principais prêmios americanos de direção indica a minha tese do marketing caro.
Lady Bird me lembrou muito Juno, um filme que eu não gosto nada. (na verdade, gosto menos de Juno do que deste)
Lady Bird é uma adolescente de seus 16, 17 anos, nos últimos momentos do high school, numa cidade porcaria da Califórnia, classe média baixa vivendo no meio de adolescentes mais ricos em sua escola católica particular.
Lady Bird é o nome que ela exige ser chamada porque, né, ela é adolescente, tem cabelo vermelho, é super esperta e quer ser o centro das atenções o tempo todo, como diz uma amiga dela em uma briga.
Só que Lady Bird é super recalcada e disso eu não vejo ninguém falar.
Falei do filme do recalcado do Ben Stiller esses dias e me deparo com mais esse e fiquei meio chocado. Mas chega de filme de recalcados, né.
Lady Bird tem vergonha da família mais pobre, do pai desempregado, das roupas que usa, do irmão chicano, da casa que mora, da rua que mora, de tudo.
E ela leva uma vida besta, começa namorar um carinha bonitinho, entra pra turma de teatro, mas não é escolhida para ser a atriz principal e fica puta por isso, apesar de sua amiga ter sido escolhida por cantar melhor.
Ela quer entrar em faculdade cara, apesar de sua família não ter grana para pagar, mas ela tá pouco se fudendo com isso, e faz a filhinha do papai para convencê-lo de que vale a pena investir nela, ao contrário do que sua mãe diz.
Aliás, a mãe é o melhor personagem do filme, é a única que tem consciência de quem realmente é Lady Bird. É cruel, é fria por vezes mas é mãe, é quem fala o que tem que ser dito. Laurie Metcalf merece todos os elogios que tem recebido por esse papel.
E outro que está muito bem no filme é Tracy Letts, que já tinha arrasado no filme com a Debra Winger e que aqui, nos dá um lindo e fofo e condescendente pai da mimada Lady Bird.
Pra terminar, a lindeza da atuação de Saoirse Renan como Lady Bird merece sim muitos e muitos aplausos.
Diferente de Juno, ela faz uma adolescente com cara e jeito de adolescente. Ou o sem jeito de adolescente. Ela é chata, engraçadinha, espertona, boba, prepotente, pretensiosa como deve ser, como o papel pede. E com Lady Bird, Saoirse confirma que veio pra ser uma das grandes atrizes de um futuro bem próximo.
