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361/365 EU, TONYA

O que você precisa pra ter um filme maravilhoso?

Primeiro, uma boa história com uma boa personagem principal. Se for inspirada em fatos reais, melhor ainda. E olha essa história: nos anos 1990’s nos EUA, a melhor patinadora artística americana, Tonya Harding, por ser pobre, tosca, vir de família miserável e sem dinheiro, com a mãe doida e por ter um marido que batia nela, não conseguia se classificar para representar os EUA em competições internacionais. Tendo uma concorrente e sempre escolhida para essas competições, ela manda, ou o marido manda, ou os amigos dela mandam quebrar os joelhos da sua rival. Só. Olha que fofura.

Segundo, um roteiro bem escrito, bem amarrado, conciso e consistente pra contar essa boa história. Um roteiro sem buracos e escrito por alguém que consiga escolher os melhores momentos (sério) de uma história muito conhecida. E quando o roteiro tem a melhor ideia de todas, que é contar essa história bizarra sob o ponto de vista dos principais envolvidos, pontos de vista diferentes e conflitantes, temos um vencedor! Quem fez? Quem mandou? Quem pensou? E agora?

Terceiro, precisa ter um bom diretor, um cara que saiba filmar, saiba onde colocar a câmera, saiba como colocar a câmera, pense no filme antes de sair filmando, entenda o roteiro e principalmente saiba dirigir o elenco.

Daí você precisa de um elenco muito, mas muito bom. Atores que sumam nos papéis que estão interpretando, que nos façam acreditar em cada uma de suas palavras, que em nenhum momento nos deixem a impressão de que estamos olhando para a atriz ao invés de estarmos olhando para a personagem. A starlet australiana Margot Robbie tem o papel de sua vida como a white trash Tonya Harding. E melhor que ela ainda está minha musa (como já falei aqui o que ela faz em Mom, na tv), Allison Janney vai com certeza ganhar uns bons prêmios de atriz coadjuvante como a mãe violenta e tosca e mal educada e filhadaputa da patinadora.

E no fim, muito necessário um time de produtores que entendam muito de todo esse processo e que banquem um filme como esse, com todos os seus maneirismos, seus detalhes absurdos de bons.

Uma comédia de erros que nem os irmãos Coen ousariam ter escrito.

Até agora eu estou espantado como tiveram a brilhante ideia de transformar essa história, que poderia muito bem ser um dramalhão de sessão da tarde, em um filme esquisito, quase engraçado, quase trágico, quase de terror, de novo na melhor tradição dos bons filmes dos Coen.

Uma dica: depois de ver essa pérola, vá ao youtube e assista os vídeos originais de Tanya e da mãe e fique como eu fiquei, de queixo caído com o que fizeram nesse filme.

Já na lista dos melhores do ano.

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